quarta-feira, 2 de março de 2016

Mulheres Choram



Eu não tenho vergonha de assumir que estou me transformando em uma grande chorona, daquelas que se derretem em lágrimas e não precisa de nada especial.
Choro de alegria e também de tristeza.
Acho que o choro e eu temos um acordo. Sempre que algo me comove a beira da indignação minha alma transborda.


Ultimamente muitas coisas têm me indignado, para o bem e para o mal.
Há pouco tempo, assisti na TV uma matéria sobre o estado de abandono de dezenas de homens, todos com doenças da mente, que estão internados (ou será esquecidos) em uma clínica no Rio de Janeiro, administrada pelo Governo do Estado.
Largados sobre colchões de plástico, sem lençol, nestes dias de calor absurdo. Camas armadas na cozinha, eles não tem nada além de um teto sobre suas cabeças. O governo virou-lhe as costas, a sociedade ignora, a família sabe-se lá onde está.
Não existe perspectiva de obra de melhoria porque o projeto está na mesa de alguém que não se importa.
Falta de perspectiva. Solidão. Por isso, eu choro.
Em um momento completamente diferente, confesso que derramei algumas lágrimas ao ouvir no programa da Ana Maria Braga a declaração de amor do cantor Luciano à sua esposa, que havia acabado de dar à luz a duas meninas.
Ele disse: “Quando olho nos seus olhos entendo a razão da minha vida”.
Afeto. Companheirismo e Delicadeza. Tudo isso, no momento em que a mulher certamente estava frágil e totalmente dependente.
Eu me emocionei porque estou cansada de ver mulheres independentes e sozinhas; super satisfeitas com a vida profissional, mas totalmente perdidas quando se trata de relacionamento pessoal e tudo que ele envolve: amor, ansiedade, dúvida e as inevitáveis lágrimas.
Outro dia uma amiga me contou que reencontrou um antigo admirador, que em todo momento elogiava a sua independência, força, poder de decisão.
Meio cansada daquele papo sem futuro, minha colega descobriu um jeito de espantar o admirador casual. – Você não me conhece mesmo. Só trabalho porque preciso, adoraria encontrar um homem para cuidar de mim, disse ela.
Depois me contou que só teve coragem de falar isso porque não sentia qualquer interesse em iniciar um relacionamento.
Pois é, mulher, nós fomos longe e demonstramos o quanto somos fortes e capazes. Profissional exemplar, mãe atenta, esposa aplicada, amante cheirosa e preparada. Eles gostaram desta história, tanto que alguns resolveram se encostar.
Isso é tão verdade, que demonstrar que deseja ser cuidada por um homem é, em muitos casos, dar Adeus à possibilidade de uma futura relação. Homens viraram crianças de mulheres frustradas e poderosas.
Covardia, fraqueza e falta de atitude. Puro encosto.
Para superar esta indignação, eu convoco as mulheres a dizerem: Eu choro!
Se não estão vendo, que ouçam a nossa humanidade.