segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Onde estão os nossos heróis?



Existe coisa mais chata do que conversar com uma pessoa que só reclama da vida?
Eu desconheço.
Sempre que encontro alguém assim, que a todo momento ressalta os problemas do cotidiano, eu lembro de uma amiga que eu não vejo há muito tempo e que um dia me disse o seguinte:
- Daniela, ninguém aguenta assistir a um filme triste mais de uma vez.
Existem pessoas que se apegam ao pior dos mundos. Palavras como corrupção, incompetência, violência e destribuição do meio ambiente saltam de suas bocas como se fossem uma receita de bolo, bolo estragado é claro.
Elas dizem isso na roda de bar, nas festas, no encontro com a família, como se as alegrias alheias as fizessem se sentir mal, a ponto de querer transformar o momento e nos colocar para baixo.
Eu tenho muita desconfiança desse tipo de pessoa porque na maioria das vezes são as que mais falam e menos fazem para mudar o que nos incomoda no dia a dia.
É óbvio que precisamos nos posicionar diante dos problemas da vida, não devemos fugir da realidade, negar os problemas, mas precisamos avaliar a maneira como nos referimos a eles.
Precisamos não apenas apontar o que está errado, mas também nos comprometer de alguma forma a resolver o problema.
Tem gente que pensa, mas o que eu posso fazer?
Não sou rico para distribuir comida para o povo, não sou legislador para criar novas leis ou cobrar que sejam cumpridas, não tenho poder ou conhecimento.
Mas, existem coisas que todos podem fazer que é doar um pouco do seu tempo para ajudar em uma causa. Nada adianta sair por aí querendo mudar o mundo se a base não estiver estruturada.
Os heróis não existem apenas nas histórias em quadrinhos, eles são pessoas comuns que resolveram fazer algo mais do que despejar no mundo as suas frustrações e medos.
Outro dia, um amigo me falou: - “Daniela, não existem heróis. Cada pessoa age de acordo com o seu interesse”.
Mas, quem disse que todo interesse é motivado por um princípio ruim ou desonesto?
Eu já encontrei alguns heróis do cotidiano em lugares improváveis.
Algumas mulheres maravilhas eu conheci nos salões de belezas, vendendo sucos em quiosques de praias ou trabalhando para famílias desconhecidas.
Durante o dia usavam o disfarce de manicure, cabeleireira, empregada doméstica, mas além das aparências eram o verdadeiro sinônimo de fortaleza na hora de lutar pelo sustento da família, fazer trabalho social em creches e hospitais ou tornar a vida das pessoas mais bonitas e mais leves. 
Também encontrei alguns homens super poderosos na arte de viver, com capacidade de voar como um pássaro, sem temer a escuridão ou a água cortante, para salvar a vida de uma desconhecida, de viajar quilômetros para fazer uma surpresa a uma amiga que estava em depressão.
Para ser um herói no mundo de hoje não precisa ser rico, poderoso ou o mais inteligente. Porque para quem tem tudo isso, fazer o bem e ser feliz é fácil.
O herói do cotidiano é aquele que simplesmente por existir torna a vida de outras pessoas especiais.
E isso não se consgue praguejando contra o mundo, mas fazendo parte integrante deste mundo, com todas as suas dificuldades, sem desistir de acreditar que cada um traz dentro de si uma força transformadora.