domingo, 30 de outubro de 2011

Atração Fatal




Corro o risco de parecer antipática, mas quer saber?

Não me importo.
Eu cheguei à conclusão de que não gosto de ir a shows de bandas, em lugar aberto, seja qual for.
Como cheguei a essa conclusão? Ontem, junto com a minha família, eu fui até São José dos Campos para assistir ao show da Paula Fernandes.
Há tempos escuto as músicas dela no rádio do meu carro e já sei cantar quase todas.
Fazia muito tempo que não assistia a um show e acabei escolhendo o pior sapato que uma pessoa pode ter para ir a um campo de futebol, lotado de pessoas esbaforidas e sem a menor consideração com o pé alheio.
Imagine a cena: eu de calça comprida, blazer curtinho e sapato de saltinho. Pirei geral, ainda mais considerando que pela manhã tinha ido à pedicura e o dedão estava dolorido.
Após seguir a corrente de pessoas, eu cheguei à área VIP, o espaço do gargarejo, em frente ao palco.
Neste show, tinham dois palcos, um onde se apresentava os “cantores a caminho do estrelato” e o outro para a estrela mór, Paula Fernandes.
Logo de cara resolvi dançar e tentar cantar todas as músicas dos “cantores a caminho do estrelado”. Fiquei triste ao perceber o quanto se esforçavam para animar o povo.
Enquanto isso, os ingratos se aglomeravam em frente ao palco da estrela, que estava totalmente apagado, com uma cortina preta cobrindo toda a frente.
E foi então que pela segunda vez eu me senti totalmente inadequada. Gente, eu não conhecia nem a metade das músicas que eles cantavam. Eu olhei para o lado e vi um montão de gente cantando e pensava:
- Onde eu me escondi esse tempo todo?
Tinha uma música que começava assim: “Nossa... delícia, delícia, assim você me mata...”
- Que música é essa? Eu nunca ouvi.
A minha irmã falou que era a música preferida do filho de apenas 2 anos. Ele sabia cantar e eu não.
Claro, que depois da quinta vez que a música tocou eu já tinha aprendido o refrão. Convenhamos à música pode ter embalo, mas é facinha...facinha..., fazendo grande esforço para não julgar.
Foi então que bateu a vontade de ir ao banheiro e o medo de perder o lugar que eu estava guardando na pista, há 2 horas. Vou ou não vou. Não teve jeito, tive que ir.
Fila de banheiro químico é um barato, a gente conhece muitas pessoas e fala de coisas que em um lugar normal ficaríamos envergonhados.
Quando chega a vez de entrar no banheiro parece que estamos a caminho do inferno. Tudo escuro, quente e fedido.
Pensando bem que bom ser escuro, o que os olhos não vêem o coração não sente. Ok, esse pensamento é meio podre.
Eu saí do banheiro meio envergonhada porque não encontrei a descarga. Resolvi me desculpar. E não é que fiquei sabendo que não tem descarga?
Voltei para a pista e, às 24h30, adivinhe quem chegou? Ela, a estrela mór, Paula Fernandes!
Aff...essa hora eu já sonhava com a minha cama.
De repente me tornei uma mulher invisível: o povo passava na minha frente, empurrava, batia o braço na minha cabeça e até banho de cerveja eu tomei.
Mas, sou determinada, fui até lá para ver a estrela! Juro que eu tentei e como...
Se não fosse por um rapaz que decidiu se colocar na minha frente com um tremendo chapéu de boiadeiro (de onde tirou aquilo?), que ocupava o lugar de três pessoas.
- Não tem espaço, ainda argumentei.
- Os meus amigos estão ali, respondeu.
Só que ali era bem aqui, na minha frente.
Para piorar, o marmanjo metido a boiadeiro decidiu se lambuzar com a boca da namorada bem na minha cara, se bobeasse sobrava baba até para mim.
Eles viravam a cabeça para um lado, eu ia para o outro.
Enquanto tentava me desviar, apareceu um outro rapaz com um cigarro acesso jogando fumaça como se estivesse sozinho, em um lugar ventilado, longe de qualquer muvuca.
Só que ele estava com o braço erguido para cima, na altura do meu ombro. Imagine, então, onde estava o suvaco?
Aí ficou mais difícil, pois já não dava para virar a cabeça, tive que me concentrar em uma única posição, reta, olhando fixo para frente.
Desisti e me afastei do palco, fui para um lugar mais calmo para assistir ao show em um telão.
Alguém pode me responder qual é a graça de assistir ao show em um telão?
Enquanto refletia sobre a situação em que me encontrava, lá no meio daquele campo de futebol, concluí que esse tipo de evento tem o efeito de atração fatal sobre mim!
Me atrai e depois me mata de raiva!