sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Tudo o que é demais, cansa!



Eu tenho uma amiga que adora conversar sobre assuntos relacionados ao meio ambiente.
Como jornalista, ela teve a oportunidade de trabalhar nesta área e defender com unhas e dentes a preservação do Parque Estadual da Serra do Mar e os mananciais que banham a nossa região.
Ela pode estar bem distraída, mas isso muda bem rápido com uma palavrinha mágica: “invasões irregulares”.
Posso até vê-la se arrumando na cadeira, ajeitando o corpo, colocando o cabelo para trás da orelha e dizendo: - Gente, esse assunto é complexo e só vamos conseguir combatê-lo com vontade política. Esse é o início de um discurso que vai durar...horas.  
Mas, tudo que é demais cansa, como descobriu a minha amiga há poucos dias.
Ela chegou ao trabalho com uma expressão de quem viu, ouviu e não gostou, resumindo “injuriada”.
– O que aconteceu?
- A minha casa foi invadida.  
– Ã?
- Sapos. Imagine um monte deles, uma família inteira, com tataranetos, netos, filhos e bisnetos. Diversas gerações.
- Ai que nojo! O que você vai fazer agora?
Eu perguntei isso já me vendo segurar uma máquina de exterminar sapos, com botas na altura do joelho, de luvas grossas de borracha e uma cara de poucos ou nada amigos.
Desculpe se magoei os defensores dos sapos oprimidos e incompreendidos, mas nesse caso sou muito prática: Ou eu, ou eles.  
Mas, para sorte da natureza e, neste caso, dos sapos, nem todos pensam como eu, de forma tão intolerante e perversa.   
A minha colega, por exemplo, olhou para mim,  com um sorriso meio contrariado e disse:
- Sabe, dormir com coaxar de sapo é gostoso, a gente sente que está rodeada pela natureza..., até relaxa.
- É mesmo?, eu perguntei desconfiada.
- É..., mas dormir com uma geração inteira é como estar morando em um brejo!
Ela ainda não sabe o que fazer para resolver essa situação, no momento reza para não chover, assim os sapinhos vão cantar em outra freguesia.
No caso dela, que se derrete toda em defesa da natureza, o melhor mesmo é propor um acordo a São Pedro e depois aos sapinhos.
Quem sabe, ela pode até combinar de sair de casa nos dias de cantoria apenas para não aborrecê-los com suas críticas sobre ritmo, afinação e timbre.
Essa história só reforça a minha tese de que tudo que é demais, cansa!
Pronto: cansei. Volto só na segunda!