segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Um dia na rua

Crônica escrita em junho/2007, achei por acaso quando procurava por um texto.
O fato ocorreu há bastante tempo, mas o ensinamento permanece comigo.



Outro dia fui caminhar para pensar um pouquinho na vida.
Enquanto apreciava a paisagem, uma linda vista do canal, nem me dava conta das pessoas que ia encontrando pelo caminho, do barulho dos carros e dos olhares estranhos.
Não estava nos meus melhores dias. Na verdade me sentia muito triste. Havia sido demitida e, de uma hora para outra, a minha vida ficou sem rumo.
Até que uma mulher, na casa dos seus 30 anos, me parou de repente.
A princípio pensei que era para pedir dinheiro e tentei me esquivar. Depois, pensei com certo egoísmo, que não custava nada ouvir já que não tinha coisa melhor para fazer, resolvi ceder um pouco do meu tempo.
Foi quando fui surpreendida por um pedido de ajuda. Com seu cabelo despenteado e uma roupa simples, ela disse que estava perdida e com um grande problema: sem entender como e nem quando alguma coisa tinha mudado em sua personalidade. O problema é que já não lembrava do passado, do que teria ocorrido há 3 meses.
Na hora pensei que a história da mulher era uma oportunidade de redenção, como se ajudando- a pudesse ter a minha própria vida de volta.
Entrei na dela, disse que era para procurar ajuda espiritual, que se não lembrava do passado era porque nada importante deveria ter ocorrido. Olhar para frente era a melhor solução. Problemas todos nós temos, mas não devemos perder tempo se lamentando.
Voltei a caminhar com a sensação de que havia acabado de receber um sinal divino: por mais triste que a gente esteja tem sempre alguém pior precisando de uma palavra de apoio.
Quando voltei, contente por ter feito algo bom em uma manhã que nada prometia, encontrei a moça no mesmo lugar, pedindo ajuda para outra pessoa, que a ouvia como eu a ouvi, que dava conselhos como eu dei.
Na hora pensei em atravessar a rua, depois resolvi abaixar a cabeça e passar depressa, rezando para que ela não me visse. Confesso que me senti meio boba, senti vergonha por ter dado importância aquela conversa sobre mudança e passado.
Em casa, depois do banho, concluí que a verdadeira loucura é ir às ruas procurar ajuda nas palavras de um estranho quando apenas com atitude e dinamismo é possível mudar a nossa história.