sábado, 10 de dezembro de 2011

Você merece o filho que tem?


Em momentos de crise ou de extrema felicidade, já aconteceu de eu olhar bem para os meus filhos e questionar o que eu fiz, de bom ou ruim, para tê-los.

Quem decidiu que os meus filhos seriam esses e porque não outros.
Porque eu, a pessoa que mais vai amar, sofrer, chorar, torcer por esses seres humanos, não fui consultada sobre essa escolha?
Eu tenho certeza que muitos pais também já fizeram essa pergunta.
“Porque tenho um filho tão bom, quando dediquei pouca atenção a sua educação? "Porque tenho um filho atleta, que se alimenta de coisas saudáveis, se eu sou tão sedentária?”.
“Quem ensinou a esse filho a ser tão generoso e esperto se por vezes sou mesquinha e atrapalhada?”.
Ou, em momentos de crise. “O que fiz para merecer um filho que maltrata o meu coração, não me respeita, não estuda, não...”.
Por vezes, eu sofro muito por meus filhos, sofro por culpa de não saber tudo, por medo do meu medo arruinar suas vidas, por amá-los além da conta. Sofro tentando protege-los do que eu nem sei.
Eu sempre tenho um cuidado especial para não me colocar no lugar de vítima. Odeio sentir que não tenho o controle da situação, sou avessa ao caos emocional.
No dia a dia se alguém me faz sofrer, trai a minha confiança ou desperta o que há de pior em mim é por uma única e simples razão: eu deixei isso acontecer, portanto, mereço.
Essa é a forma que eu penso na hora de mudar o que me incomoda. Mas, ninguém quer mudar de filho.
Somos estranhos, trilhando a mesma estrada da vida, caímos, choramos e nos alegramos juntos. Quem tem filho nunca mais tem controle sobre as suas emoções.
Hoje refleti sobre isso. As crianças estão crescendo, já escuto pela casa algumas conversas sobre namorados, o sonho de estudar em outras cidades e a vontade de viajar com amigos.
Aos poucos vão ganhar independência e liberdade. E o meu coração, como vai sobreviver a isso?
Então, conversei com Deus.
Pensei tê-lo ouvido dizer assim: “- Se fosse apenas por você, talvez não fizesse tudo que combinamos quando me pediu para ir a esse mundo, talvez você esquecesse que é importante ser bom e generoso, que precisa combater o seu gênio egoísta e egocêntrico, por isso te dei filhos”.
- “Filhos, serão a razão maior do seu viver. Você vai amá-los mais do que a si mesmo. Esse amor vai trazê-la de volta a Mim, será a garantia da sua caminhada e do seu encontro comigo”.
- “Ok, Deus. Não tenho pressa nenhuma de acabar a caminhada. É melhor eu ir andando...que papo mais doido!”.