quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Os deuses estão de volta


A “Primavera” chegou e tudo ganhou uma nova cor.
O perfume das flores e suas formas suaves tornaram o ar mais leve e romperam com anos e anos de seriedade dos temas religiosos, que deixaram de ser o tema central das obras dos artistas e filósofos.
É o início da Renascença, quando Sandro Botticelli pinta o quadro “Primavera”, em 1480.
Porque o período foi chamado de Renascença?
O estilo é uma redescoberta e revalorização dos temas abordados pelos antigos gregos e romanos, daí trazer de volta imagens relacionadas à mitologia. Também repare que a cor branca dos personagens lembra as estátuas de mármore.
Na interpretação de alguns estudiosos, esse quadro representa as mudanças das estações do ano.
À direita está Zéfiro, o vento oeste (comum no mês de fevereiro) que sopra no rosto da ninfa Clóris, que se transforma em Flora, a deusa da primavera, repare na fileira de flores que sai de sua boca no momento da metamorfose.
Ao lado da linda Flora, com um vestido incrível, está a Vênus, tendo acima um cupido de olhos vendados; ela aparece como a deusa do amor e da fertilidade, repare que a barriga dela sugere que esteja grávida.
O cupido está apontando a flecha na direção das Três Graças, que parecem estar indiferentes a tudo que acontece, até mesmo ao amor, no momento apenas flutuam e dançam.
E aquele homenzinho no canto, quem é? Esse é o meu deus favorito, o mensageiro Mercúrio, que aparece afastando uma nuvem, para os românticos... o véu que encobre a verdade.
O quadro é inspirador e transmite leveza.
E repare como as mocinhas são cheias de curvas, se realmente fossem desse mundo, dessa época, as coitadas seriam consideradas até gordinhas.
Mas, a sua beleza atemporal representa, pelo menos para mim, a beleza possível, sem estresse. Um convite para flutuar no jardim da paz.