terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Tire os pés do chão! (se você for capaz...)

Vista da Praia de Cambury do alto do Morro do Cruzamento

Mais do que um sonho, tirar os pés do chão para ficar com a cabeça nas nuvens se transformou em uma nova mania entre os amantes de esportes radicais.
Em São Sebastião, está localizada uma das pistas de decolagem mais difíceis para o voo livre do litoral norte. Ela fica no Morro do Cruzamento ou Morro do Flávio, como é mais conhecido, entre as praias de Boiçucanga e Cambury, na costa sul.
Para chegar até a rampa, é necessário estacionar o carro na rodovia Rio- Santos e percorrer uma trilha de terra durante cinco minutos. Lá de cima, dá para avistar as principais ilhas do canal, como Alcatrazes, Montão de Trigo, Gatos, Couves e As Ilhas e ainda ter uma visão panorâmica da mata atlântica.
A decolagem é feita a 98 metros do nível do mar, com ventos de até 25 quilômetros/ hora, nas direções sul, sudeste ou sudoeste. No local, o voo predominante é de lifting, ou seja, o aviador é sustentado pela massa de ar quente que fica próxima da serra do mar e mantém uma altura constante.
A dificuldade está na hora da decolagem. Por ser de falésia, até que o aviador chegue à beira do precipício não dá para ter noção da velocidade do vento. Com a vela sem pressão, a pessoa precisa ter coragem para correr e se jogar montanha abaixo.

Vôo sobre a praia de Boiçucanga

Quem me apresentou a essa pista foi o Ramiro, um frequentador assíduo do local.
“Os principiantes acham que, como a vela está frouxa, não vai decolar. Aqui é quase impossível abortar a saída e às vezes o vento nos joga pra cima a milhão. Não dá tempo para ajeitar o equipamento”, avisou Ramiro, enquanto subíamos o morro.
“Não tem lugar mais bonito para voar do que em Boiçucanga. Apesar da adrenalina na decolagem, o passeio é muito seguro e pode durar até 4 horas, com alguns intervalos”, continuou, talvez com a intenção de me acalmar.
“O sol é como se fosse uma lanterna, ilumina o fundo do mar. De uma altura de 180 metros, dá para ver as tartarugas, arraias e até os mergulhadores nas pedras”, disse todo animado.
Mas, é do vôo duplo que Ramiro mais gosta. “Adoro voar com outra pessoa para sentir a emoção e a adrenalina do primeiro salto. O homem em geral é mais medroso que a mulher e no final do passeio quase todos dizem: Ah... eu não sabia que era assim”, diz.


Registro do vôo do Ramiro e o Celsinho (meu amigo fotógrafo) pra ninguém duvidar

Bem, neste caso específico, quem pulou para trás (ou melhor, não pulou para nenhum lugar) fui eu.
Se eu tenho medo de voar de avião, imagine se eu conseguiria me jogar em direção ao mar, de peito aberto, de jeito nenhum!
Mas, fico contente em saber que o meu medo é compartilhado por muitas pessoas. O Ramiro contou que já presenciou algumas gafes muito engraçadas. “Tem gente que come demais e passa mal, quando chega a praia lembra que esqueceu a chave na rampa de decolagem ou tira fotos com a câmera fechada ou desligada”.
Eu também esqueci algo na pista: a minha coragem! E ainda não voltei para buscar. Mas, o verão está só começando e tudo pode acontecer, será? Kkkkk.

Onde Praticar
São Sebastião/ Boiçucanga - Morro do Cruzamento
Caraguatatuba - Morro de Santo Antônio