quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Blá, blá, blá


Há muita coisa chata nessa vida, uma delas, sem dúvida, é quando a gente está contando uma história, seja super animada ou muito triste, e é interrompida.
- Mas, isso não é nada. Uma vez eu... blá, blá, blá..., diz aquela que já sofreu mais, beijou mais, viveu mais, sempre mais que você.
Ou.
– E eu então? E o meu filho? Mas, o meu marido... blá, blá, blá..., diz a outra que já esteve em todos os lugares onde você esteve, conheceu as mesmas pessoas que você, para quem nada nunca será novidade ou surpresa.
Pois é, eu acho super chato, super desrespeitoso, mas confesso que às vezes faço a mesma coisa.
Quer ver quando encontro uma pessoa que fala devagar, explica tudinho nos mínimos detalhes, repete os detalhes, gagueja...
Eu me sinto muito mal quando percebo que interrompi a conversa de alguém e nem esperei que concluísse o pensamento.
Completo as frases, tem coisa mais mal educada do que isso? Eu acho que não.
Mas, quer saber quando eu me sinto ainda pior?
É quando a pessoa a minha frente me olha totalmente perdida, não lembra onde estacionou o pensamento tal a velocidade da minha tagarelice e pede socorro.
– Onde foi mesmo que eu parei? Estava falando sobre o que mesmo? Então, era isso que eu ia contar...
Como radicalizar não funciona, pois costumes não podem ser mudados da noite para o dia, requer tempo e paciência, um amigo me ensinou a técnica de Jack o Estripador, ou seja, ir por partes.
Se você sofre do mesmo mal, essa dica serve também para você.
Quando sentir a vontade incontrolável de falar, pergunte: - Você quer a minha opinião ou apenas deseja desabafar?
Se a resposta for opinião, ótimo. Fale tudo que pensa, você está liberada. Oba!
Mas, se a resposta for desabafar, comece a recitar “poemas em nuvens”, ou seja, cale a boca coloque o cérebro para funcionar.
Isso já restringe em 50% a chance de você ser considerada intrometida e ficar falando sozinha.
Além disso, no meu caso, foi bastante produtivo, pois quando resolvi falar menos sobre o que eu pensava, passei a escrever mais sobre os meus sentimentos.
O resultado é esse blog, com a diferença que não obrigo ninguém a me ouvir.
Para as outras 50% das vezes que você não conseguir se controlar em dar uma opinião, desejo sorte para que encontre amigos carinhosos e pacientes, que gostem tanto de falar quanto de ouvir.
Quanto aos outros nem tão amigos, aceite que nem sempre você vai agradar a todos.
Aprenda a viver com a falta de unanimidade ou faça terapia.
Por enquanto, ainda estou feliz com a primeira opção.