sexta-feira, 9 de março de 2012

As várias maneiras de contar a mesma história

Enquanto estava estudando percebi que apesar da mudança de estilo um assunto era recorrente entre os artistas: a imagem de Jesus na Cruz. Isso me ajudou a entender a forma como o tempo físico exerce influência na arte.
De acordo com o estilo da época, as imagens vão ganhando novas nuances.


Essa imagem contrasta o movimento frenético dos anjos ante a imobilidade dos personagens terrenos. A árvore seca simboliza a árvore do conhecimento do bem e do mal. A mulher que segura o peito de Cristo é Maria Madalena. Giotto utilizou de recursos de luz e sombra para aumentar o realismo da cena

Para começar escolhi uma imagem de Giotto di Bondone, chamada “A lamentação”, criada em estilo gótico. É importante saber que o estilo gótico surgiu na França em resposta ao estilo românico, que era bastante austero.
Nessa época, na Idade Média, o comércio estava em expansão, com o desenvolvimento das comunicações e o surgimento de novas rotas entre os diversos povos. A igreja, por seu lado, compreende que os fiéis se concentram nas cidades e passa a dar atenção a construção das catedrais. 
Seguindo as rotas comerciais, logo o estilo chega a Itália, onde recebe influência bizantina, de pintura afresco e sobre madeira
Nem preciso dizer que os temas religiosos dominam e os tons dourados e vermelhos vão ajudar à associação de importância e santidade das personagens bíblicas.

Simoni Martini também se destacou nesse estilo, com a pintura em madeira “O carregamento da cruz”. O caos é equilibrado pela paleta de tons de vermelho (usados tanto por Maria Madalena quanto por Cristo), dourado e azul. Veja a hora em que cristo inclina o rosto para a Virgem Maria, a cumplicidade e o contraste entre a dor de Cristo e a tristeza da Virgem.

 
Essa pintura “A descida da cruz” é considerada o melhor trabalho de Rogier Van Der Weyden. Ela foi tão influente que inspirou várias cópias. O espaço está comprimido no centro. Veja como é semelhante a simetria do corpo de Cristo e da Virgem Maria. A imagem arqueada de João Evangelista (na extrema esquerda) e Maria Madalena (extrema direita) enfatizam essa simetria.
 
Esse quadro chamado de “A deposição da Cruz” foi pintado por Pontormo, um artista que se destacou no estilo chamado de Maneirismo, que surgiu como reação aos valores renascentistas, que marcou o fim da Idade Média e a revalorização da cultura clássica. O estilo é exagerado e causa um tipo de estranhamento, principalmente nas cores fortes, como nos tons ácidos. O alongamento intencional do corpo é outra característica desse estilo.
Quadro de Peter Paul Rubens, “A deposição da cruz”, segue o estilo Barroco, com sua decoração pesada e complexa, e tem a função de despertar o fervor religioso. A postura heroica de Cristo é intensificada pelo uso de luz e sombra. O corpo é musculoso lembrando as esculturas clássicas dos deuses e não apresenta os sinais de sua agonia. A linha diagonal da cruz cria uma composição dinâmica, enfatizada pelas cordas tensas, repare.
O estilo barroco é caracterizado por grandes extravagâncias. Nessa época, o cristianismo combatia a fé protestante reformulando-se e expressando os novos conceitos por meio da arte, o que explica a dramaticidade do barroco. 
Espero que essas imagens tenham ajudado a entender um pouquinho sobre os estilos que influenciaram esses grandes artistas. Escolha o que mais te agrada, pesquise e divirta-se.