terça-feira, 20 de março de 2012

O tempo da razão

O Renascimento marca o fim da Idade Média e o surgimento da Idade Moderna. Florença, na Itália, foi o centro desse movimento.
Esse termo faz referência à revalorização das obras de autores clássicos como Platão, Aristóteles e Homero e com elas uma visão mais humanista, que coloca o homem em primeiro lugar.
As estátuas dos deuses da mitologia que estavam guardadas nos porões das casas por serem consideradas perjúrio e infâmia voltam a ficar na moda.
Se você pensar bem, ainda hoje é assim. Não podemos esquecer que o artista, mesmo sendo um gênio, é um ser humano que está captando toda a energia do seu tempo.


A Virgem e o menino com história da vida de Santa Ana (Fra Fillippo Lippi) – O olho direito da virgem está colocado bem no centro do quadro, cuja forma circular era usado com frequências em pinturas sacras. A geometria está expressa no quadro, é uma exibição do mestre da perspectiva renascentista. Repare também  a abordagem sensível de Lippi ao traço, aos tons de pele e aos tecidos.
A época em que surgiu o Renascimento foi um dos períodos mais férteis no campo da ciência. Galileu Galilei, mesmo perseguido pela Igreja, afirmava não ser a Terra o centro de todo o universo.
Os avanços da tecnologia de navegação, como a criação da bússola, permitiram o descobrimento da "nova terra", a América, realizado por Cristóvão Colombo.
Por outro lado, a pólvora, antes utilizada apenas na fabricação de fogos de artifício, passou a ser utilizada para fins militares e colonizadores europeus passaram a obter vantagem bélica esmagadora sobre os povos dos territórios conquistados.
Mesmo assim, o Renascimento não pegou logo de cara, os temas cristãos ainda exerciam uma forte influência nos artistas. No entanto, já é possível perceber que os personagens bíblicos ganham uma relevância maior, como no quadro da "Virgem e o menino". Eles passam de figurinistas a personagem principal da obra.
Na cidade de Florença, os primeiros artistas a se destacarem foram Giotto, Uccello, Donatello, Manetti e Brunelleschi. Este último foi um dos primeiros mestres da Renascença a redescobrir as leis da perspectiva de um único ponto de fuga.
Depois deles, vieram os artistas que ainda hoje não cansamos de admirar, como Sandro Botticelli, que com tanta graciosidade pintou “Primavera”.


Primavera – O significado dessa obra é incerto. Uma explicação é que ele representa as estações do ano, de fevereiro (Zéfiro, o vento oeste (à direita)), passando por toda a primavera e verão, até setembro (Mercúrio, o deus mensageiro). Observe a habilidade do artista em transmitir uma sensação de movimento na cena da dança das Três Graças; O volume da barriga da Vênus (no centro) sugere que esteja grávida, representando o amor e a fertilidade. A transformação da ninfa Clóris na deusa da primavera, após ser tocada por Zéfiro, o vento do oeste.