segunda-feira, 5 de março de 2012

Pai, eu vim aqui para dizer que...



...estive pensando e concluí que 70 anos não é pouco e nem muito.
Em se tratando de idade nada é uma ciência exata. A quantidade de vida varia de acordo com o sentido e a intensidade.
Pensa comigo...
Quem vive 70 anos bem vividos, como eu sei bem que é o seu caso, não tem medo de afirmar que a quantidade de vida supera e muito os dias e as horas das suas lembranças.
A gente deve medir o tempo não pelo espaço entre o dia e a noite, mas entre uma risada e outra e todos os sentimentos que nos afogam e nos desafogam, como se a vida fosse emoção pura.
Como um samba que vai ganhando sentido conforme o sambista se perde no ritmo e assim aprende uma nova nota e cria uma nova canção.
Os anos não devem ser simplesmente uma somatória de dias, mas uma somatória de experiências emocionais.
Dessa forma, eu digo que já deixei a muito tempo de contar a sua idade.
Seja sincero, Pai, 70 anos é muito pouco para contar toda a sua vida.
Não posso acreditar que com tanta sabedoria você seja apenas essa criança.
70 anos é muito pouco diante desse mundo tão grande que existe dentro de você.
Então, divida comigo, como faço para chegar a sua idade com a sabedoria de mil anos de vida?
Com toda essa graça, com toda essa vontade de fazer sempre um novo dia diferente?
Sim, para mim é como se você tivesse mil anos.
Mas, considerando que a idade é sua, vou fazer de conta que me conformo.
70 é um bom número, afinal de contas.
Você sabia que nos anos 70 eu nasci?
Que nesse ano acabava a Guerra do Vietnã e era dado início a década da discoteca?
Lembra quando você caiu na gandaia com a Turma da Tropicália? As suas fotos com as famosas calças boca-de-sino te entregam.
70 gols. 70 cervejas para beber com os amigos. 70 beijos e abraços para dar nas filhas e netos. 70 vivas para a liberdade!

Pai,

Eu acabei de perceber que 70 anos é muito pouco.
É pouco tempo para tanto amor que você me deu e que eu ainda tenho para te dar.

TE AMO!