sexta-feira, 23 de março de 2012

Uma viagem a Veneza


Baco e Ariadne - Ticiano ganhou fama como o colorista mais original da sua época e usou o ultramarino em abundância (repare na roupa de Ariadne), extraído de um tipo de calcário chamado lápis- lazúli, que era mais caro do que o ouro.  Com a pintura a óleo esse tipo material caiu em declínio. Em 1828, surgiu uma versão sintética, que custava um décimo do pigmento original

Eu convido você para uma viagem até a movimentada Veneza do século 14.
Nesse dia as embarcações, entre elas, as gôndolas, disputam espaço para chegar ao cais da cidade, cheias de artigos exóticos e luxuosos de todas as partes do mundo.
Ouça a infinidade de idiomas, claro que o italiano se sobressai. Mas, ninguém parece se importar, não se importe também. Esse é mais um dia como outro qualquer. Veneza fervilha de gente, de aromas e todas as cores.
Ceramistas, vidraceiros, marceneiros, tecelões, escultores e pintores caminham devagar por essa balbúrdia a procura de novos tecidos e desenhos orientais, aliás, tudo que for diferente e divertido. A arte venezianadava os primeiros passos para romper com a estrutura rígida da igreja.
Ainda que as encomendas religiosas ainda dominassem o mundo das artes, os objetivos dos artistas e patronos mudaram drasticamente.
Com a economia indo de vento e popa, o lema da época era: “não basta ter tem que aparecer”, os patronos passam a ter interesse pelos retratos, que lhe dão prestígio social.
O primeiro a perceber e tirar proveito disso foi Giovanni Bellini, que pintou o sultão turco Mehmet II, o conquistador de Constantinopla. 
As grandes telas compradas dos fabricantes de velas de navegação permitiram aos artistas pintar em uma escala maior, destaque para Baco e Ariadne, de Ticiano, inspirado na história dos dois amantes escrita por Ovídio e Catulo.
Esta obra mostra o momento em que Baco, o deus do vinho, encontra Ariadne, filha do rei de Creta.
Depois de ajudar o seu namorado Teseu a fugir do labirinto do Minotauro, Ariadne foi abandonado na Ilha de Naxos. É quando entra Baco em uma carruagem puxada por dois guepardos, com sua multicolorida multidão de seguidores bêbados.
Baco fixa os olhos na sua futura noiva. Ariadne expressa medo. O corpo dela, com o braço estendido para o navio que parte com o amante que a abandonara, parece dizer:
- Teseu, me leva com você, seu cachorro, safado, traidor de uma figa!
Se ela soubesse que o fim seria esse, uma ilha distante com um marido beberrão, aposto que teria deixado Teseu vivendo seus últimos dias com o Minotauro.
Mas, agora é tarde, o navio partiu. O jeito é afogar as mágoas em uma boa taça de vinho ou afogar o futuro marido (brincadeirinha...).