quinta-feira, 5 de abril de 2012

A moça do olhar misterioso

- Sorria, Mona Lisa!, pediu da Vinci. E a magia aconteceu.

O sorriso fez de Mona Lisa a mulher mais famosa do mundo. Graças à mágica de Leonardo da Vinci, um gênio dos pincéis, da perspectiva e do sfumato, termo que tem origem na palavra italiana para “fumaça”, perceba como é usado na transição suave entre as cores.
Assim como as outras obras do artista, este quadro não está datado e nem assinado. O nome Mona Lisa ou La Gioconda teve origem num relato do historiador da arte Giorgio Vasari.
“Francesco del Giocondo contratou Leonardo para produzir o retrato de sua esposa, Mona Lisa”. Leonardo contratou músicos e palhaços para manter sua modelo se divertindo. “Como resultado, há um sorriso que parece divino e não humano”.
As explicações de Vasari não convenceram todos os fãs de Da Vinci. Eu vou contar para você o que imagino quando olho a imagem dessa mulher.
A Mona Lisa para mim representa a esperança das donas de casa, a celebração da beleza da mulher madura, é a mulher após o parto, com o seu corpo suculento; é a dama que oferece colo; é muitas vidas em um único olhar.
Quem é essa moça? Eu a imagino andando pelas vielas da cidade, erguendo o vestido para não sujar nas poças de lama.
Eu a imagino cuidando dos animais, das galinhas, ovelhas e bezerros. O tamanho das mãos chamam a minha atenção.
Eu a imagino na cozinha, suando a beira do fogão, fazendo tudo todos os dias, o igual, o trivial, o essencial. Até que um dia, quando voltava da feira, um raio de sol toca a sua face. Uma luz brilha sobre ela e esse momento, tão fugaz, é visto por um homem.
Algo de sobrenatural. E assim dá início o encanto. Ele a leva até o seu estúdio, fala sobre coisas engraçadas, dança com suas roupas coloridas e os seus cabelos longos que são quase iguais ao dela.
A moça não está acostumada com tanta atenção.
Pensa: - O que o meu marido vai fazer quando descobrir que eu estou aqui!
Mas, o homem a sua frente é tão leve, tão diferente de tudo na sua vida. Aos poucos ela descobre que saber sorrir.
- Quando foi mesmo que eu esqueci como sorri?
O tempo nesse caso é o carrasco, deu-lhe sabedoria, a consciência de que o encanto só dura um instante.
Ela então cruza as mãos, arruma a coluna, senta de lado e lança um sorriso meio torto, diz:
- Senhor, ande logo com isso. Preciso ir para casa preparar o almoço.
Para mim, Mona Lisa é a mulher possível vista pelo olhar de um homem sensível, que foi além da aparência para buscar algo que ela tinha esquecido: a felicidade.