sexta-feira, 11 de maio de 2012

Não é difícil falar da minha mãe, o difícil é tentar ser ela.


Desde pequena ouço histórias sobre a minha mãe. Quando ia à casa dos meus amigos e me apresentava, sempre ouvia um elogio a seu respeito.

- Abigail era a mulher mais linda de São Sebastião.

E, ainda hoje, é assim.
Adorava ouvir como ela era valente ao quebrar os padrões da época desfilando de biquíni de lacinho nas poucas ruas da cidade, deixando os homens loucos. Um deles chegou até a cair da bicicleta.

A moça de olhos verdes e longos cabelos castanhos era muito abusada.

E crescia o meu respeito sempre que alguém comentava como ela driblou o frio e a fome na época em que morou com a avó em Santa Catarina.
Comprei a sua briga e virei muitas vezes a sua defensora quando ouvia sobre a separação dos seus pais, a tristeza que isso lhe causou.
Cresci sabendo que ao meu lado tinha uma mulher com alto padrão de qualidade e de beleza.
Quando atingi a juventude, ela voltou a trabalhar no banco, aí o comentário, além da beleza, passou a ser a respeito da sua simpatia e competência.
Eu me casei. Ela se tornou gerente de conta de alta renda do banco.
Então, eu tive os meus filhos. Ela se tornou a vovó mais orgulhosa da cidade.

- A sua mãe adora ser chamada de vovó, fica toda besta.

Engraçado como o tempo passa, mas sempre nos sentimos um pouco crianças para falar dos nossos pais.
Quando comecei a escrever esse texto, uma homenagem a minha mãe, eu temia cair no conto da Poliana, que vê tudo pela lente cor de rosa.
A minha mãe não é do tipo que se ilude com palavras de amor, é tudo preto no branco.
Ela nunca me deu um sermão, tudo que aprendi foi através de exemplos práticos.
O otimismo para suportar uma situação difícil, por exemplo, ela me ensinou em todas as manhãs quando a observava lavar trouxas e mais trouxas de roupas na mão, sem reclamar.
A força de vontade, não desistir e acreditar no sucesso, eu aprendi vendo-a estudar com afinco para passar no concurso do banco. Ela passou em terceiro lugar, mesmo sem ter feito o colegial.

A minha mãe nunca deixou a gente sentir que era melhor ou pior do que qualquer outra pessoa.

Eu cresci no BNH, estudei até o ginásio em escola do município, a minha mãe não tinha ajudante e, para aumentar o orçamento da família, ela chegou a vender panelas e tentar a profissão de manicure. Essa última durou apenas 1 dia (para sorte das clientes, rsrs!).
Eu não sei se era o amor e a atenção que ela me dava ou apenas o fato de estar na sua presença, mas eu sempre me senti segura em qualquer lugar.
Foram muitos anos observando a forma como ela anda, fala, sorri, briga, chora e sempre está disposta a recomeçar.

Eu não me engano, sei que somos diferentes.

Eu poderia ser mais vaidosa e ela mais romântica. Eu poderia ser mais realista e ela mais sonhadora. Eu poderia gostar mais de estudar e ela de decorar a casa. Eu poderia gostar de cozinhar e ela de mexer no jardim.
Mas, eu nunca duvidei de que somos iguais naquilo que é essencial, o amor que nos une!

Mãe, eu sou louca por você.