segunda-feira, 7 de maio de 2012

Pecado e Castigo


Para começar o “Jardim das Delícias” foi criado para ser exposto numa igreja, mas alguns detalhes eróticos tornaram a obra revolucionária demais para isso.
A obra mostra Deus depois de criar Eva e sugere um progresso natural de um único pecado transformado em muitos. No inferno, os condenados se confrontam com seus pecados. 

A Revolução cultural e intelectual que dominou o mundo das artes espalhou-se rapidamente pela Europa e foi assim que a Renascença chegou aos países nórdicos.
Na Itália, a Renascença foi marcada pela redescoberta da cultura clássica, de Roma e da Grécia, representada pela mitologia. Ao norte da Europa, essa cultura não era tão relevante.
A Renascença nórdica foi inspirada na Reforma Protestante, que trouxe um interesse renovado pela representação da imagem humana e por retratar o mundo de forma realista.
Para quem não está lembrado, a Reforma Protestante foi iniciada pelo padre Martinho Lutero, que protestou contra diversos pontos da doutrina da Igreja Católica, propondo uma reforma no catolicismo.
Lutero foi apoiado por vários religiosos e governantes europeus provocando uma revolução religiosa, iniciada na Alemanha, e estendendo-se pela Suíça, França, Países Baixos, Reino Unido, Escandinávia e algumas partes do Leste europeu, principalmente os Países Bálticos e a Hungria.
O resultado da Reforma Protestante foi a divisão da chamada Igreja do Ocidente entre os católicos romanos e os reformados ou protestantes, originando o Protestantismo.
Os artistas nórdicos foram reconhecidos pela habilidade de retratar pequeninos detalhes, como a textura de um casaco de pele ou dos metais, ou ainda dos reflexos exatos em superfícies espelhadas.
Desse período, as minhas obras preferidas são três: “Os quatro cavaleiros do Apocalipe” (Albrecht Dürer), “O Jardim das Delícias” (Hieronymus Bosch) e “A queda de Ícaro” (Pieter Bruegel).
Por coincidência (será?) as três falam sobre os pecados dos homens.


O quadro “A queda de Ícaro” poderia se chamar “ícaro caiu, e daí?”. Sim, porque o artista simplesmente ignora o sofrido Ícaro, retratando apenas as suas pernas. Mesmo os demais personagens do retrato parecem não se importar.
O pastor e o seu cachorro olham para cima e parecem prestar atenção a outra coisa e o navio, embora próximo do jovem, não há nenhum indício de que alguém a bordo tenha percebido que Ícaro caiu do céu.
Agora pensa: se eu não tivesse contado que aquelas pernocas pertenciam a Ìcaro, você teria se dado conta disso?
Na mitologia grega, Dédalo e seu filho foram aprisionados na ilha de Creta. Dédalo era um inventor e usou seu talento para construir dois pares de asas, de modo que pudesse fugir com Ícaro. O pecado de Ícaro foi ignorar o conselho do seu Dédalo para que não voasse alto demais. Ao subir cada vez mais, o sol derreteu a cera que mantinha suas asas coladas. Ícaro caiu no mar e se afogou.



Por fim, “Os quatro cavaleiros do Apocalipse” é uma gravura que foi feita em 1498, naquele período, próximo de 1500, as pessoas acreditavam que o fim do mundo estava próximo, por isso as imagens do apocalipse estavam em alta.
Com essa obra, Dürer usou técnicas inovadoras, com linhas paralelas e cruzadas para criar tons de luz e sombra e volume. O sucesso foi tanto que rendeu ao artista uma fonte de renda para vida toda.
O primeiro cavaleiro, com arco e flecha, representa a enfermidade; o segundo ergue uma espada e representa a guerra; o terceiro com uma balança vazia, a fome; e o quarto cavaleiro a morte.
O sentimento de medo, desde aquela época, é uma fonte de dinheiro, até no mundo da arte, aff...