domingo, 20 de maio de 2012

Quebrando o silêncio



Eu estava esperando o fim da semana para comentar sobre o assunto divulgado na mídia que mais chamou a minha atenção, mas não consegui.
Um deles é importante demais para deixar passar. Ele foi abordado pela apresentadora Xuxa durante um quadro no Fantástico, na noite de domingo.

Trata-se de abuso sexual cometido contra crianças.

Desde que a apresentadora afirmou ter sido vítima de abuso sexual na infância o assunto veio à tona, mas muita gente só consegue criticar o fato dela ter falado sobre isso em rede nacional.
Não vejo dessa forma, acredito que uma pessoa pública deve sim usar a sua experiência para o bem, que nesse caso, como ficou óbvio, é para alertar os pais e os professores para o problema que pode estar atormentando a vida dos seus filhos e alunos.
Desvalorizar essa atitude ou transformar a discussão em algo menor, no meu entender, é ser leviana.
O fato é que ainda tratamos da violência sexual em crianças de forma muito silenciosa. No passado, o mesmo era feito quando era descoberto um caso de câncer na família. “Ele tem “aquela” doença...”.
O abuso sexual em crianças é um câncer e falar sobre isso, no mínimo, ensina os envolvidos a lidar com essa doença, com menos pudor e mais objetividade.
Ninguém está imune de viver uma situação como essa. Como sabemos, a maior parte dos abusos sexuais acontece em casa com pessoas próximas da família.
Mas, então o que podemos fazer para evitar que nossos filhos sejam vítimas desses doentes?
Eu li uma matéria sobre mães que amamentam os seus filhos até a idade de 7 anos e outras que deixam os pequenos dormirem em sua cama, junto com o marido. Elas pensam que podem protegê-los.
Por outro lado, quem desconhece os métodos das mães tigres, que impõem regras rígidas, o que exclui visitas à casa de amigos, muitas horas de estudos e treinamentos, por exemplo? Elas também querem proteger os filhos.
Há mães que demonstram amor expandindo os limites e outras limitando. São duas formas diferentes de demonstrar amor. O que está certo?
Eu acredito que nós pais temos o poder sobre a vida dos nossos filhos, quando ainda são pequenos. Isso é uma responsabilidade que vai além de impor horários de estudos, estabelecer dietas e ensinar o certo ou o errado.
Os pais devem ensinar os filhos a fazer escolhas como um ser individual e sabendo que muitas vezes não poderão poupá-los do sofrimento.
Existem filhos que não conversam com os pais por medo de magoá-los e de frustrar as suas expectativas. Outras porque tem medo de uma reação dramática e violenta.
Não podemos deixar que os nossos filhos sofram para nos proteger quando cabe a nós fazer isso.
O que precisamos é permitir o diálogo e criar laços de afeto.
Ensinar os filhos a confiar que somos as pessoas certas para estar ao seu lado em todos os momentos.
Para isso devemos nos esforçar para evitar andar a sua frente para abrir os seus caminhos ou atrás para evitar que sejam surpreendidos pela vida.
Afinal, por mais que a gente queira poupar os filhos do sofrimento não consegue.
Quem acredita nisso, se frustra, se culpa e vende uma ilusão para a criança.