sábado, 19 de maio de 2012

Quem é você?

Li em algum lugar que as pessoas mais interessantes nunca têm uma resposta definitiva para essa pergunta, pois estão sempre em movimento, se arriscam nas curvas e não vivem em linhas retas.

Conhecer a si mesmo é o desejo de muitos. Isso evita armadilhas, do tipo que faz a gente sofrer. Se você sabe daquilo que gosta não vai ficar dando murros em faca, vai direto ao ponto.
Mas, que ponto? Sim, porque nem sempre somos a mesma pessoa em todos os momentos da vida.
Eu posso ser extremamente liberal com os meus funcionários e rígida com a educação dos meus filhos, por exemplo.
Essa capacidade de ser várias pessoas, às vezes confunde.
Se nós somos confundidos pela nossa pluralidade imagine o que acontece com as pessoas ao redor.
É comum que as pessoas a sua volta tenham uma imagem distorcida de você.
Isso acontece muito comigo. Os meus amigos me consideram uma pessoa super calma até zen, mas só eu sei dos moinhos de vento que guardo dentro de mim.
A análise do outro é baseada nas aparências, o que ele vê primeiro. O que eu sinto, ninguém pode saber até que eu revele.
Geralmente, as pessoas são apressadas demais para passar da superfície e mergulhar na profundidade de emoções que faz parte do universo do outro.
Quem você é? Para o outro essa resposta estará baseada em muitos fatores externos, como o grupo do qual você participa, o partido político, a cidade aonde mora, o seu peso ou a forma como você se veste.
A visão que um desconhecido tem da gente também é importante porque convivemos em uma sociedade.
A imagem do coletivo nos afeta e muitas vezes de tal forma que chega a nos confundir.

- Será que sou calma demais? Isso é bom ou ruim?

Nossas certezas ganham peso quando são reafirmadas no olhar do outro, mas se o outro nos olha de forma rasa, isso pode causar um conflito.
Em certos momentos da vida, é comum a gente ficar confusa.

– Eu gosto mesmo de ficar em casa ou faço isso porque é o que o outro espera de mim?

Ou, também pode surgir o medo de decepcionar.

- Se esperam que eu esteja feliz em casa, o que vai acontecer quando descobrirem que eu gosto mesmo é de viver na rua?

De toda forma, viver olhando no espelho do olhar do outro requer cuidados.
Se não podemos viver só, também não podemos viver uma vida que não nos pertence.
É importante lutar pela liberdade de ser e escolher algumas pessoas a quem considerar na hora de ouvir uma opinião.
Não são todos que estão disponíveis e serão capazes de enxergar o seu verdadeiro “eu”.