domingo, 27 de maio de 2012

Rastros da Semana


Na última semana quatro histórias divulgadas na mídia chamaram a minha atenção e em todas as mulheres eram personagens principais.
Cada uma a seu jeito deu o que falar.
Uma delas foi a repórter do Programa Brasil Urgente, Mirella Cunha, que entrevistou (ou seria humilhou?) o preso Paulo Sérgio, de 18 anos, acusado de roubo e estupro, em uma delegacia de Salvador.
A repórter estava tão preocupada em aparecer que esqueceu o que tinha ido fazer ali. Durante toda a entrevista, ela fez piada com a falta de conhecimento do rapaz sobre exame de próstata e com o seu português incorreto.
E a cada piada de mau gosto, dava para ver o sorriso de satisfação no rosto da moça e o olhar de consagração que dava para a câmera.
A Mirella esqueceu que milhares de pessoas não sabem o que é exame de próstata. Ao invés de confundir e humilhar, ela poderia ter aproveitado o momento para esclarecer sobre o tema.
Que a mulher conquistou o seu lugar no pódio isso é indiscutível, basta olhar lá no alto a nossa presidenta. Mas, enquanto algumas mulheres nascem para liderança, como o queijo nasceu para a goiabada, outras precisam aprender que o sucesso ao contrário da fama não se faz da noite para o dia e nem com um único ingrediente.
Essas mulheres sedentas demais quase sempre pesam na mão, aumentam demais a temperatura e esquecem que a magia se faz com a mistura de muitos ingredientes: foco, garra, perseverança, confiança, mas também carinho, leveza e compreensão.
Na minha opinião, Mirella precisava ser menos afobada. Alguém deveria ter falado para ela que ninguém alcança o sucesso por causa de uma matéria, mas pode se queimar feio por causa de uma atitude arrogante e maldosa. Isso é o que eu chamo de fama ruim.
Outro exemplo de mulher que foi notícia, mas por outro motivo foi Soraya Gomes, que ficou peladona, à beira da rodovia SP- 101, em Vitória, capital do Espírito Santo.
“Foi um momento meu. Se eu quebrei a cara, problema meu. Foi um trabalho, por necessidade”, disse enfática.
Eu não critico a Soraya, não gosto de falar mal de gente que não conheço, mas posso comentar a sua atitude.
Poucas mulheres teriam a coragem dessa moça. E depois quando todos estavam contra ela, julgando e apontando a sua atitude despudorada, levanta o queixo e ainda desafia o sistema.
Uma pena que essa mulher de tanta atitude precise passar por uma situação igual a essa.

Mas, a vida é como é.

Se a Soraya fosse uma pilota de avião poderia ter se comportado com a mesma superioridade que a comandante da Trip.
Após um senhor se recusar a viajar no avião pilotado por uma mulher, a comandante não se abalou e o convidou educadamente a sair da aeronave.
Gostaria muito de ter visto a policia federal escoltando esse passageiro. Uma vitória contra o preconceito faz o meu coração vibrar.
E por falar em vitória, você ficou sabendo que os diários da Rainha Vitória, a soberana da Inglaterra, escritos entre 1832 e 1901, foram disponibilizados na internet?
Quem diria nobreza dando as costas para a discrição.
Nos tempos atuais em que viver sem compartilhar não tem graça, quem tem diário que se cuide, melhor mesmo deixar expresso em testamento:

– Não compartilhe o meu diário porque dos confins onde eu estiver, volto e puxo o pé do abusado que desobedecer.

Duvida?

Vamos cuidar da próxima semana, ela pode ser boa.