domingo, 8 de julho de 2012

Família é Rock


Hoje, 13 de julho, Dia do Rock. Eu não fui a nenhum show eletrizante, não vesti roupas pretas, mas estou no maior clima.
Não conheço nada mais rock’roll do que a família.
Você conhece algo mais radical? Quem vive essa experiência não precisa de qualquer barato para se sentir em estado alterado e experimentar momentos de emoção sincera com outros de puro caos.
A família é sempre imprevisível, estar junto a ela é ter certeza de que a qualquer momento o seu mundo pacífico e seguro será abalado, desestruturado e todos ficarão completamente pirados.
Então, de repente a música muda. Alguém diz alguma coisa, todos voltam a se amar, choram de emoção, juram que sempre estarão juntos, protegendo e amando na alegria e na tristeza.
É puro rock na veia. É aonde o slogan Paz e Amor faz todo sentido.
Junto à família queremos sentir paz, viver o amor, mas somos todos filhos do rock. Que os anjos nos perdoem se puderem.
Mesmo aquele que nunca conheceru ou, por razões diversas, não convive com a família, não está livre de ser influenciado por sua música. A ausência do amor da família estabelece sentimentos tão fortes quanto à presença dele.
Nelson Rodrigues já dizia:
– "Todas as famílias felizes ou infelizes são neuróticas".
Mas, até mesmo ele, com sua mente fértil de tragédias, adultérios, incestos, perversões e tantas histórias cabeludas, não escapou dos laços familiares.
Isso ficou bastante claro para mim durante a visita que fiz a Exposição Nelson Rodrigues, no Espaço Itaú Cultural, em São Paulo, que revela as origens da sua família.
A escritora portuguesa Dulce Maria Cardoso disse na FLIP (Feira Literária de Paraty) que a família é um laboratório do comportamento humano, aonde somos fabricados, formados e, às vezes, deformados.
- “O amor da família é o mais benigno dos jogos do poder e o mais tirânico dos jogos de dependência”.
Para a escritora a família deve ser o sítio de proteção, aonde o amor persiste de forma duradoura; deve ser como uma casa e não como uma prisão.
Claro, que assim como o rock por vezes a vida em família fica fora de controle.
Tolstói escreveu um dia:
- "Toda família feliz é igual, mas cada família infeliz, é infeliz a sua maneira".
É dessa complexidade que nascem os acordes, sons, ritmos que diferenciam as famílias. Por isso, a cada família cabe a sua infelicidade. Nem tente entender, dar conselhos é pura perda de tempo.
O poeta Carlos Drummond de Andrade dizia que o cotidiano pode ter uma reserva colossal de poesia.
E existe algo mais cotidiano do que a vida em família?
Eu vejo essa poesia na minha família e extraio as inspirações para as minhas histórias. Mesmo quando o rock está pauleira, eu consigo tirar disso a inspiração para as minhas crônicas.
A explicação do escritor João Anzanello Carrascoza é que o cotidiano é a flor feia da poesia, mas ainda é uma flor.
- “O cacto é uma flor”, argumenta.
Isso daria uma ótima canção de rock. Não acha?