segunda-feira, 30 de julho de 2012

Isso é sabotagem!



Às vezes eu me apaixono por palavras.
Como agora, estou apaixonada pela palavra sabotagem. É uma palavra tão misteriosa. Quem vai sabotar? O que? Como? Por quê? Parece um tema emocionante para uma reportagem.
Mas, e quando sabotamos a nós mesmos? Bem, aí deixa de ser tão emocionante.
Eu estava de férias e fiquei em casa por alguns dias com os meus filhos. Não tinha nada na agenda que merecesse a minha atenção, então era só relaxar e curtir. Mas, quem disse que eu consegui?
No primeiro dia, eu acordei cedo e já comecei a arrumar o meu guarda-roupa, nos dias que seguiram dei uma geral em todos os armários da casa, dos quartos ao escritório, dei uma geral nas gavetas da sala e da cozinha, trabalhei como uma louca.
Eu poderia até dizer o quanto me fez bem limpar a casa, desapegar de coisas que já não tem valor. Poderia falar sobre o quanto o meu espírito se sentiu mais leve por ver os sacos de papéis picados serem colocados no lixo, roupas pequenas sendo doadas e por reencontrar objetos, fotos e documentos que já dava por perdido.
Mas isso seria apenas a parte boa, não seria toda a verdade. A verdade é que não conseguia me livrar de um peso, da sensação de me sentir inútil. Você já sentiu isso?
Sem perceber, eu me sabotei. Como fiz isso? Ah...isso foi fácil. Comecei deixando que os piores pensamentos tomassem conta da minha mente.

“- Os meus filhos não precisam de mim”.

- “Ninguém no meu trabalho sente a minha falta”.

- “O meu marido não valoriza a minha opinião e não me respeita”.

- “Eu estou muito sozinha”.

Assim, com esses pensamentos, eu tornei a minha vida pequena aos meus próprios olhos. Ela ficou tão pequenininha, e eu pensei que falta faria se eu não existisse?
Comecei a apelar. Passei a chamar os meus filhos toda hora, pedia que ficassem comigo vendo o que quisessem na TV, até desenho animado. Eles ficavam um pouquinho, mas logo se refugiavam no quarto. “- Você não vai ficar triste né, mãe?”.
Jesus, Maria, José, eu estava a um passo da depressão! Tudo bem, eu sou dramática, posso estar exagerando. Mas, vou dizer que me senti triste. Isso é verdade.

Um dia o meu marido chegou do trabalho e disse:

- “Hoje vou ficar só com você, eu acho que estou trabalhando muito e deixando você sozinha”.

Aquilo soou como um alarme na minha cabeça.
Eu não estava apenas me sabotando, mas sabotando as pessoas que eu amo, deixando que acreditassem que o motivo da minha tristeza eram elas, quando o problema estava dentro da minha cabeça.
No livro “O que a vida me ensinou”, de Mario Sergio Cortella, está escrito que “a felicidade, assim como o erótico, precisa de latência, para repousar e renascer”.
É o caso da luz que só existe por causa da escuridão. Do seco com o molhado. O doce e o amargo. Assim é a felicidade e a tristeza.

Ou seja, nem sempre se reconhece a felicidade até correr o sério risco de perdê-la.

Eu parei para pensar a respeito para entender porque estava tendo tanta dificuldade em aceitar a felicidade e curtir o momento.
E acho que no fundo ser feliz dá um medo danado.
O meu grande medo é me acostumar a ser feliz e de uma hora para outra tudo mudar. Antes, que isso aconteça, eu vou criando alguns mecanismos para sabotar o excesso de alegria. Ser feliz, mas nem tanto.

E não é que estava dando certo?

Da próxima vez que sair de férias, preciso combinar com a carrasca que existe em mim para que também tire uns dias de folga. Eu vou namorar em Paris. Ela vai para o Polo Sul.