terça-feira, 24 de julho de 2012

Uma mudança de cada vez


Eu acordei com uma vontade louca de mudar, mal levantei da cama e já sabia de cor que rosto estaria me esperando no espelho do banheiro.

- Af, como isso está previsível!

Eu sabia que estava na hora de tentar algo novo, estimulante, lindo, para dar um movimento diferente a minha vida, um colorido especial aos meus dias, mas por onde começar?
Se eu fosse esperta, começaria colocando a minha roupa de ginástica, que está escondida há muito tempo em algum lugar do armário (será que ainda serve?), e faria uma caminhada, respiraria ar puro, perderia aqueles indesejáveis quilinhos que se apoitaram no meu quadril.
Mas, como eu sou eu, comecei por algo que me daria um resultado rápido: o cabelo, lógico.
Toda mudança que preze, começa pelo cabelo. Não sei bem porque é assim, ou se só eu sou assim.
Mas, quando realmente desejo mudar, começo logo pelo cabelo, eliminando os excessos, aliviando a nuca, com cada fio em seu lugar, ou todos em lugares diferentes.
Eu confesso que antes disso eu já tinha pensado em alternativas mais ousadas, como uma tatuagem, por exemplo.
Mas, odeio pensar que quando ficar velha a tatuagem vai ficar toda enrugada, além disso, sou inconstante demais para ter algo tão definitivo.
Depois pensei em pintar os cabelos, vermelho, claro, para radicalizar. Mas, as duas opções foram descartadas, só em olhar a cara de espanto (e terror) do meu marido.
Gente, eu acho que o deixei assustado.
Hoje fui ao salão, segura, disse que gostaria de cortar o cabelo. Como? Do jeito que eu ficasse bonita, diferente, uma coisa!
Mas, ao me olhar no espelho só o que vi foi a mesma cara de sempre, com menos cabelos.

- Eu queria algo mais moderno, ficou curto demais, cheio demais. O meu rosto está uma bolacha. Eu disse, sem cerimônia.

- Espere um dia, deixe o cabelo baixar porque está com escova, e volte. Pode ser?

Nada como ter uma cabelereira inteligente, ela sabe quando a gente está pirando. Não é a primeira vez que corto o cabelo e não gosto dele na hora.
Mas, não dizem que toda mudança exige coragem? Que toda mudança causa dor?
Pois, então, acho que a dor que estou sentindo agora é normal e vai passar.
Se não passar, posso me conformar pensando que o cabelo vai crescer.
(Enquanto estava escrevendo no blog, a minha filha Luíza veio me espiar: - “Eu sabia, aposto que está escrevendo no blog sobre o seu corte de cabelo!”, disse).

- Ah, sabia! Por quê? Sou tão previsível assim?

Talvez eu precise mudar mais coisas do que um corte de cabelo, mas por hoje é melhor parar por aqui. Uma dor de cada vez.