quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Carta a uma amiga

Amiga, como é bom revê-la.

Depois de tantos anos, tantos filhos, tantas cidades onde morei, tantos trabalhos por onde eu passei, enfim volto a revê-la.

É bom saber que você ainda está aqui para mim.

Confesso que nem sempre valorizei tanto a nossa amizade quanto agora. Eu estava ocupada demais aprendendo a ser namorada, esposa e mãe.

Eu sei que você entende porque também passou por isso e se não entende me perdoa e me ama mesmo assim, afinal é a minha amiga.

Agora com o meu marido no auge da carreira e os meus filhos cada dia mais interessados em seus próprios mundos, eu tenho mais tempo para pensar em mim.

E foi pensando em mim que percebi a falta que você me faz.

Outro dia aconteceu um fato engraçado, a minha filha abriu a minha página no facebook e leu as nossas conversas.

- Mãe, você nunca falou que tinha amigas, agora está cheia delas. Isso é meio ridículo.

Não levei a mal, percebi que é apenas ciúmes de uma garotinha que sempre teve eu apenas para ela.

Mas, como expliquei, ela também já não me coloca no centro da sua vida.

Isso é normal na adolescência, não é? Os filhos tentam entender quem são e para isso necessitam de um pouco de distância dos pais.

Expliquei apenas que enquanto ela vivia sua descoberta do mundo, o que é maravilhoso e muito saudável, eu estaria me divertindo. Ela entendeu.

Eu assisti a entrevista que o Zezé de Camargo no Fantástico, aonde contava que aos 50 anos estava separado da mulher Zilú.

Mais ou menos assim...

- Eu incentivei ela ir estudar nos Estados Unidos. Os filhos estão adultos e cada um vai para o seu lado e a gente precisa criar uma rede de amizade.

Com a internet, essa rede de amizade é facilmente ampliada. Existem vários tipos de amigos, é claro. Os amigos do acaso, da infância, do trabalho, da família, de toda a vida, para sair, para falar bobagem e por aí vai.

Não sei direito que tipo de amiga eu posso ser. Estou meio enferrujada para esse lance de amizade, me adaptando a essa nova condição, por isso se eu me esquivar dos seus convites para sair não estranhe e nem fique com raiva.

Pense, sem culpa, vai aí uma mulher que esqueceu o quanto é bom ter amigas.