segunda-feira, 20 de agosto de 2012

O galho da pitangueira




 Eu estava com pressa, mas não o suficiente para ignorar as folhinhas secas que se abrigavam na minha pitangueira.
A mesma pitangueira que nunca deu frutos, que até hoje só me fez saboreá-la com os olhos, mas agora está cheia de folhas e florzinhas brancas.
Com muito cuidado, comecei a arrancar as folhinhas secas, até que me distraí por alguns segundos e arranquei um galho de folhas novas e verdes.

– Puxa, esse galho estava tão bonito, por que não prestei mais atenção?

Parei com o que estava fazendo, de repente aquilo perdeu toda a graça.

- Por que não segui o meu caminho?, pensei contrariada.

À noite, na minha cama, com as luzes apagadas, pensei no quanto a vida é incerta, nas mudanças que ocorrem e deixam a gente até sem ar.

- Nós somos tão frágeis quanto o galhinho da pitangueira, pensei.

É uma ilusão achar que se tem controle sobre a vida e criar uma série de regras para não sofrer, quando tudo é tão imprevisível.
Eu não sei você, mas eu vivo fazendo planos. Seria bom se eles fossem como vagalumes e me guiassem na escuridão.
Mas os planos, na maioria das vezes, são mais parecidos com as estrelas cadentes. Eles brilham, em um instante depois se apagam e deixam tanta saudade...
Eu já perdi as contas de quantas desilusões tive e das vezes em que precisei adequar os meus planos, adiá-los e até arquivá-los porque já não se encaixavam na minha realidade.
É o que a gente faz, não é? Aos poucos, se despede dos sonhos como eu fiz com as folhinhas secas, arrancando uma por uma.
Mas, o mesmo vento que leva as folhas secas, também traz a chuva que faz a pitangueira renascer.
E assim, seguimos na vida, plantando novas sementes de sonhos, esperando que floresçam e deem frutos.
Com o tempo, aprendemos que enquanto sofremos por um sonho arrancado de nós, estamos moldando o nosso caráter.
É o jeito que a vida encontra de nos transformar em uma árvore linda, que dará frutos e fará a diferença no mundo.
Mas, só percebe isso que tem a delicadeza no olhar.