quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Material Girl

Há pouco tempo uma amiga querida me surpreendeu com uma afirmação inesperada:
- Daniela, você precisa praticar o desapego e valorizar mais o espírito do que a matéria.
Para entornar mais o caldo, ela concluiu: - Você não é uma pessoa feliz. Existe um vazio dentro de você!
Não posso dizer que eu fiquei satisfeita com essas palavras. Uau! Quantas afirmações para um único dia. Essas frases de impacto me pegaram em cheio.  
Na hora, eu só pude afirmar que era feliz e não me considerava uma “material girl”.
Quem estava do lado, ouviu a conversa e tentou argumentar sobre essas afirmações.
- Ela não é feliz por que, quando, aonde?
 E quando eu percebi que a conversava começava há ficar um pouco tensa, achei melhor deixar para lá.
Afinal, se acham que não sou feliz e que sou materialista, o que eu posso fazer, além de dizer que estão enganados?
Achar todo mundo pode achar alguma coisa. Outro dia ouvi uma frase que cabe muito bem aqui:
- Se preocupe com o seu caráter e não com a sua reputação. Um é o que você é e o outro o que pensam de você e isso você não pode evitar.
Mesmo assim, não consegui esquecer essas palavras que teimavam em ficar pairando na minha mente.
Até que acendeu uma luz:
- Eu estava sendo julgada com base em que referência?  
Por exemplo, ao dizer que sou materialista é preciso que a pessoa se baseie em alguma coisa.
No caso, a minha colega se baseou no fato de eu sentir falta de um relógio.
 Ok, para ela um relógio é menos que um galho de planta. Portanto, eu sou materialista e apegada.
Mas, tem gente que sofre por muito menos do que um relógio. Sofre ao perder uma presilha de cabelo. Se essa pessoa fosse me avaliar, será que me acharia materialista?
Eu acho que não.
Portanto, tudo depende da referência.
Quem sente fome ou faz dieta (como eu) acharia que o vazio que sinto no estômago é apenas a falta de comida.
Quem não se priva de nada e ainda sente o vazio no estômago, pode achar que é falta de felicidade.
 Eu não gosto de julgamentos, pois eu acho cruel dar uma sentença final quando não tenho todas as referências sobre uma pessoa.
O que a faz agir assim? Ela é assim com todo mundo, em todos os lugares, com todas as coisas?
Mesmo com a família da gente é difícil chegar a um veredito.
- Você não faz o que eu faço, portanto, não é feliz!
- Você não gosta do que eu gosto, portanto, é cafona!
- Você não come o que eu como, portanto, é gulosa!
Eu prefiro aceitar as pessoas do jeito que elas são.
Dá muito menos trabalho do que tentar procurar por respostas que não farão a menor diferença.
Algumas pessoas a gente simplesmente gosta do que jeito que são. Ou não gosta. Simples.  
Eu posso aceitar ser chamada de “material girl”, esse título não me incomoda, e chego a confessar que não sou feliz o tempo todo, principalmente de manhã, quando preciso acordar cedo no horário de verão, mas não me sinto melhor e nem pior do que ninguém.
Eu não julgo, mas questiono: - Você pode afirmar que é feliz o tempo todo?

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