terça-feira, 2 de outubro de 2012

Você é romântico?

Quanto mais eu estudo sobre artes, mas eu percebo o quanto ela se assemelha a vida.
A arte é um ciclo, como as estações do ano e varia de acordo com o humor da sua época.
Veja só saímos da intensidade extrema do barroco, com seus jogos de luzes e sombras, fomos para a superficialidade do rococó, voltamos a razão com o espírito neoclássico e agora o romantismo.  
O romantismo surgiu, em parte, como uma reação dos pensadores iluministas do século 18, que haviam buscado uma ordem racional que substituísse as superstições, as crenças religiosas.
A não concretização desse mundo melhor e a persistência do caos e das guerras ajudaram a fomentar o romantismo. A razão cedeu lugar à emoção.  

O período que marcou o romantismo está longe de ser pacífico. Só para ter uma ideia, foi nessa época que aconteceu a Revolução Americana, Revolução Francesa e o início da Revolução Industrial.
Eu acho que esse romance está mais para uma paixão ardente e avassaladora, você não acha?
Ele marca o tempo em que os artistas puderam ousar, imaginar e criar sem amarras. Livres dos dogmas da igreja e do medo imposto pela aristocracia. Agora é a vez do povo nas ruas, de bandeiras erguidas, de soltar a voz e gritar: Liberdade!
Essa foi época dos exageros. Com muitas guerras e sangue escorrendo pelas ruas.
O movimento romântico enfatizava a exasperação das emoções, a turbulência da psicologia humana e a força da natureza.
O meu quadro favorito desse período é “A Liberdade guiando o povo”, de Eugéne Delacroix. Eu tive a oportunidade de vê-lo bem de perto no Museu do Louvre, impressiona pelo tamanho da obra e por todos os detalhes. Delacroix era perito em aplicar certos tons ao lado de outros e repetir cores em diferentes lugares para ressaltar uma mensagem ou estado de espírito.
Repare como as cores do céu captam o caos da guerra urbana
Também como uma obra marcante é o quadro de Francisco de Goya, “Três de maio de 1808”, que mostra um acontecimento real e histórico – um pelotão de fuzilamento executando gente comum em Madri como punição pelo ato de rebeldes espanhóis contra a ocupação francesa.

Chama a atenção o rio de sangue que mancha o chão ao lado das vítimas e também a luz branca que destaca um único homem. Bem de perto dá para ver que nas mãos dele tem o estigma de Cristo, com o objetivo de destacar o seu papel de mártir.
Depois de ver essas imagens, você vai pensar diferente quando ouvir a palavra romantismo. Ou não?