quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Medo da chuva

Naquela manha eu saí para caminhar, como faço desde que iniciei o meu processo de emagrecimento.
Eu caminhei em direção à praia, distraída com os meus pensamentos e não reparei que o céu dava sinais de mau humor.
Quando cheguei ao meu destino, encontrei um grupo reunido em torno de um pescador/ artesão, que cheio de habilidade construía uma canoa de madeira.
Curiosa, parei para dar uma olhada e tirar uma foto, mas o desconfiado pescador não quis posar de modelo e saiu de cena, acho que só não levou a canoa por ser pesada demais.
Eu fiquei meio contrariada, mas continuei o caminho.
 
Pensei: O medo afasta as pessoas e impede que coisas boas aconteçam.
Logo em frente, encontrei um filhote de passarinho que estava literalmente preso a uma cruz. Tão pequenino não conseguia superar uma barreira inofensiva e deixava a sua família desesperada. Era impossível não ouvir os gritos que vinham dos pássaros acima da minha cabeça.
Eu tirei algumas fotos e resolvi aguardar o voo do passarinho para ter certeza que ficaria em segurança.
Quando percebi que ele estava agoniado demais para continua tentando, me aproximei para ajuda-lo, nessa hora ele ganhou o céu.
No fundo, acho que preferiu arriscar e morrer buscando a liberdade a viver preso nas mãos de estranha.
Pensei: o medo, quando não paralisa, obriga a sair da zona de conforto e ousar.
Estava com esse pensamento na cabeça quando senti os primeiros pingos da chuva. A princípio eu pensei em me esconder como o ressabiado pescador.
- Mas, por quanto tempo eu poderia me esconder da chuva, e se durasse o dia todo?
Eu decidi ousar, como fez aquele pequeno pássaro que tinha encontrado há poucos minutos.
E foi assim que nessa manhã eu andei na chuva, sem me preocupar com o frio, o cabelo desalinhado ou uma futura pneumonia.
Caminhei devagar, deixando a chuva molhar até a minha alma.
Pensei: A felicidade tem o cheiro de terra molhada.