sexta-feira, 23 de novembro de 2012

O lugar sou eu

Eu estava jantando com a minha família quando surgiu uma conversa sobre a programação de fim de ano.
 – O que nós vamos fazer? Perguntei.
É bem certo que muitas famílias devem estar se perguntando a mesma coisa.
Nessa época, eu não sei você, mas eu sempre fico com vontade de fazer algo diferente. Viajar sempre me parece à melhor opção, mas aonde ir sem precisar enfrentar trânsito e preços acima da tabela?
Estávamos justamente nesse ponto da conversa quando eu comentei com eles que toparia qualquer destino, menos ir para o sítio.
- A última vez em que passeio o réveillon no sítio eu me senti triste, isolada do mundo, fiquei olhando os fogos de artifícios estourando bem longe de onde eu estava e jurei que essa data eu sempre passaria perto do mar.
Todos na mesa me olharam com cara de espanto.
- Como assim? Quer dizer que se um dia você tomar um caldo em uma onda não volta mais à praia?
- Se der uma topada na mesa de um restaurante, não volta mais aquele lugar?
Os meus filhos, de 13 e 15 anos, e o meu marido me bombardearam com essas perguntas e eu, tentando manter a calma, respondia que não, talvez, sim...
Até que a minha menina olhou bem para mim e, com o jeito impaciente, típico da adolescência, sentenciou:
 - Mãe, chega de mimimi...
Eu não agüentei e comecei a rir. Porque, de repente, percebi que eles tinham razão.
Por medo de sofrer, eu tinha decido me apoiar nas lembranças do passado, o que sempre é uma bobagem porque as coisas nunca voltam a ser como antes.
 Hoje, por exemplo, não seria nada mal estar no sítio, olhando a noite cheia de estrelas e o brilho dos fogos de artifícios. Sinto uma imensa paz quando imagino esse cenário.
Não é o lugar que define as emoções, mas a pessoa que somos quando estamos lá.
É bom ter pessoas ao nosso lado que nos fazem lembrar isso.