quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

TPN – Você também sofre desse mal?


Você não leu errado, o nome é TPN mesmo, significa Tensão Pré- Natal.
Os sintomas são parecidos com os da TPM, mas as causa é diferente.
Eu percebi que sofro com os dois males: TPM e TPN. É possível que você esteja pensando:
- Ah... coitado do marido dessa moça!
Pois é, a vida para alguns não é fácil mesmo. Mas, na minha defesa posso dizer que tenho procurado me controlar.
Como já contei em uma crônica anterior, eu já aprendi a identificar quando o monstro da TPM começa a mostrar as garras, criei uma espécie de técnica de sobrevivência, um mantra, você lembra?

- “Paciência, muita paciência”. “ Ignore! Ignore! Ignore!”. “Durma e Esqueça. Durma e Esqueça”.
Mas, a TPN é coisa nova e ainda estou tentando me ajustar. Será que somente eu fico nervosa na época do Natal?
É como se eu tivesse que terminar tudo que deixei pela metade durante todo o ano.
Se eu não pintei as paredes da casa, dou um jeito de fazer isso agora. Por quê? Será que não poderia esperar mais 10 dias?
Também fico mais impaciente e irritada, principalmente ao pensar nas compras de Natal.
Porque deixar para comprar presentes para as pessoas que amamos nessa época quando os preços estão pela hora da morte e nos faz sentir mais pobre do que nunca?
Qual a diferença de comprar os presentes nos meses de janeiro, fevereiro, março...
Outro assunto que me estressa nessa época é a ceia de Natal. Eu não entendo porque uma pessoa que não come peru o ano todo deve escolher essa data para fazer isso.
Natal na praia não combina mais com um belo peixe assado? Peru é uma comida pesada, ainda mais para comer a meia noite.
Apesar desses pensamentos rebeldes, eu confesso que na prática sigo a tradição. Mesmo irritada, querendo fugir para uma ilha deserta, eu arrumo a casa, compro presentes e asso peru. Porque eu faço isso?
Ora, a última coisa que eu quero é dar a impressão que não me importo com as pessoas que eu amo. E por acaso, presentes e comida são provas de amor? No Natal parece que são.
Ou você consegue esquecer a propaganda da TV em que o menininho espera desolado o presente de Natal que não chega? Ou uma família celebrando ao redor de um imenso peru.
Sim, nessa época somos esmagados pela propaganda e isso funciona, eu sou prova disso. Mesmo consciente do absurdo, tremo em pensar que meu filho possa se sentir tão desolado quanto o garotinho da da TV. 
Entendeu de onde vem a TPN? É da sensação de ser obrigada a seguir alguns rituais para provar o meu afeto, mesmo sabendo que não tem qualquer sentido. Aff.
Mas, o interessante é que a TPN termina sempre no Dia do Natal, é quando tudo parece fazer sentido. Algumas vezes eu fico triste comigo por ter feito tanto drama. Quando supero a culpa, começo a curtir.
Eu cheguei à conclusão de que o Natal é realmente mágico. Não é o ritual em si, mas a razão de existir essa data, contada pelos cristãos há muitos séculos.
Nessa noite, as pessoas que se amam querem estar juntas e fazem coisas malucas para conseguir isso.
Além disso, elas não sentem medo de confessarem os seus sentimentos. Todos se abraçam, beijam, trocam presentes e comem sem culpa.
É quando a palavra de Cristo ganha vida em nossos corações. "Ame o seu próximo como a si mesmo". 
É uma overdose de amor, que desnorteia até o ser mais racional.
No dia seguinte, tudo volta ao normal. O barato passa.
Bem, é claro, se o peru não estiver gritando no seu estômago e o cartão de crédito não estiver bloqueado. Ficar doidona de amor tem um preço!