quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

A Saltitante

Uma vez eu li que ter uma boa ideia é simples. Um dia podemos acordar inspirados e olhar os objetos, que sempre estiveram presentes a nossa volta, e de repente enxerga-los como se fosse à primeira vez.
A leiteira velha jogada no jardim pode se transformar em um vaso de planta; a música que você adora vira tema de um filme de família e um texto escrito em um momento difícil ganha o status de um livro autobiográfico.
Eu trabalho com assuntos relacionados à comunicação e é comum as pessoas me procurarem para contar sobre uma ideia fantástica para um projeto, um livro, uma matéria.
Mas, quando pergunto e aí já colocou em prática?
Ora, mas para isso eu preciso de patrocínio; o computador da minha casa quebrou; não tenho carro, e por aí vai.
Fica a pergunta: Qual o valor de uma grande ideia se ela não sai do papel? Nenhum.
Às vezes, mais importante do que ter uma ideia fantástica é ter um plano real e possível. Para isso, frequentemente é necessário ajustar as roupas para o seu número.
Nem sempre precisamos deixar os projetos e os sonhos esquecidos na gaveta, mas fazer concessões e olhar em frente.
Isso não quer dizer que você não vai sofrer ou sentir frustração. Faz parte do processo de desapego.
Mas, isso é melhor do que nada. Quem não faz nada, não sofre, mas também não conhece a alegria de realizar uma grande ideia.
Não se irrite se as coisas não saírem do jeito que você quer e nem espere reconhecimento de um trabalho, faça por você, pelo seu crescimento pessoal e profissional. Mas, FAÇA.
Você pode pensar. – Ô Daniela, isso é para os santos que estão apenas no altar da igreja! Isso, é difícil pra caramba.
Eu tenho que concordar. Colocar em prática as ideias e ter que conviver com as frustrações que aparecem é muito difícil mesmo.
Você não imagina como eu gostaria de alguma forma programar essa frase no meu cérebro para que o meu corpo, incluindo os nervos e o coração, tivessem dias mais leves no futuro.
Existem algumas terapias que ajudam e já estou de olho nelas.
É fácil dar a receita para a felicidade, o difícil é tomar o remédio dia após dia, sem fazer cara feia. Eu concordo com isso.
É minha amiga, a vida nem sempre caminha nos trilhos, na maioria das vezes ficamos saltando de lá para cá, e no final do dia acabamos felizes, apenas por não termos sido atropeladas pelo trem.
Quando preciso me desfazer de algumas ideias que eu considero fantásticas (e isso acontece muitas vezes), me sinto assim: Uma saltitante, igual às bailarinas clássicas, que andam nas pontinhas dos pés. Nessas horas, é como se eu sentisse uma dor aguda no dedão do pé.
A dor é parecida com aquela agonia que bate na gente e faz o estômago revirar. Porque comigo? Ora, porque não comigo?
Ninguém é tão especial que nunca será abatido pelo sentimento de frustração.
Por isso, mesmo sentindo agora mesmo aquela dor aguda no dedão do pé, sigo com fé e convido você a caminhar junto comigo.