domingo, 2 de junho de 2013

Faça a guerra, mas não desista do seu amor

- Você não me conhece mais, por acaso sabe doque eu gosto?
- Seja sincero, diga se tem alguma ideia do que eu estou pensando agora.
- Você não imagina como a minha vida está horrível!
- É verdade, eu não imagino. Mas, e a minha vida? Porque tudo tem que girar sempre em volta de você?

Você pode estranhar o fato de eu ter começado esse texto com um diálogo. É que eu não achei forma melhor de ilustrar a falta de diálogo do que com um diálogo entre duas pessoas completamente surdas uma para a outra.
Ou não é isso mesmo que parece estar acontecendo aqui?
Duas pessoas tentam falar sobre os seus sentimentos, mas mesmo com tanto esforço (e dor) as palavras se perdem no caminho.

Você pode adivinhar o resultado dessa conversa?
1º - Após gritarem um com o outro por mais alguns minutos, eles vão se sentir frustrados, se calar e perceber que qualquer tentativa de conversa é inútil. Ela não entende. Ele não escuta.
2º - Ela vai subir para o quarto e chorar; ele vai assistir televisão, pensando: fico em casa ou saio para dar uma volta? Os dois com saudades da época de solteiro quando, nessa hora, cada um ia para sua casa e esperava o clima melhorar.  
3º - Ambos arrumam as malas e vão embora, os atores deixam o palco e juram que não voltarão nunca mais a encenar qualquer peça que tenha como tema principal o casamento.

Eu sou da opinião de que o pior mal que pode ocorrer em um casamento é quando os dois desistem do diálogo, por mais doloroso que ele seja.
Enquanto há briga, o jogo ainda não acabou. Ficar brava, ofendida e magoada demonstra que o outro te afeta de alguma maneira. Por pior que isso seja.
Mas, quando já não existe mais disposição nem mesmo para a discussão é hora de fazer alguma coisa. O silêncio é o maior dos perigos em um relacionamento.
Algumas amigas minhas contam que preferem ficar caladas para não dizer tudo o que há para dizer.
Claro, que se você estiver com a cabeça quente é melhor respirar fundo antes de iniciar a discussão, isso é realmente sensato. Parabéns, aquelas que conseguem fazer isso.
Mas, fazer do silêncio um aliado para manter a paz no relacionamento é errado.
O silêncio não apenas evita o sofrimento, ele afeta a intimidade do casal a ponto de um não saber mais o que esperar daquele que dorme todas as noites ao seu lado.
Eu conheço uma amiga que ficava olhando o marido dormir para saber se ele falaria durante o sono, se daria alguma risada ou não.
Porque não perguntava para ele ao invés de passar as noites tentando adivinhar o pensamento do marido? Nem preciso dizer que o casamento não durou muito.
Quando a gente casa, logo surge novas obrigações: cuidados com a casa, cobrança por filhos, adaptação das famílias e somados a toda a carga de responsabilidade que já tínhamos quando solteiros.
Apaixonados, nós abraçamos a causa e seguimos em frente, mas isso de certa forma nos transforma como seres humanos.
É comum, por exemplo, adquirir novos hábitos ou abrir mão dos antigos em nome da harmonia. É normal, mas tem limites. No momento, em que um ou outro começa a sentir que está sendo usado deixa de ser normal.
Harmonia? Pense, ela é assim tão importante a ponto de você colocar de lado o que acredita ser felicidade?
A música do Rappa “Minha Alma” tem um refrão que faz refletir e eu convido você a fazer isso:
“Qual a paz que eu não quero conservar pra tentar ser feliz?”.
Usar o silêncio para conservar a harmonia não é viver em paz. É viver com medo.
Você quer viver com medo?
A briga entre o casal é tão necessária quanto os momentos de afeto, tanto um quanto o outro possibilitam momentos de diálogo.
 O tom desse diálogo pode ser carinhoso ou ríspido, acabar em risada ou choro, mas isso demonstra que existe entre vocês um sentimento que vale a pena lutar.
O silêncio só demonstra indiferença e falta de amor.