quarta-feira, 25 de setembro de 2013

É possível viver um amor pra vida inteira?


A ideia de viver um amor impossível é bastante romântica (Quem não chorou ao assistir os filmes Romeu e Julieta? Love Story? E o que dizer, de Casablanca?), por outro lado é sempre a causa de muita dor. Mesmo sabendo disso, muitas pessoas adoram viver situações dramáticas, no melhor estilo “atração fatal”, continuam dispostas a tudo e até a morrer por amor. Porque isso acontece? O Life Coach e Master em PNL (Programação Neurolinguística), Giobert Mendes Gonçalves Jr, explica que o relacionamento mais importante que uma pessoa pode ter é com ela mesma. Mas, será que uma pessoa que está perdida em um amor doentio consegue ter essa lucidez? Para responder essa e outras perguntas, Giobert vai ministrar um workshop sobre relacionamento “Amores Possíveis”, dia 28 de setembro, das 9h00 às 18h00, Rua Caraguatatuba, 260 – centro, de São Sebastião. É um programa imperdível para quem está sozinho, tem dificuldade de se relacionar ou está em uma relação e quer melhorar. Em entrevista ao Blog Encantes, o meu querido amigo, responde algumas perguntas sobre esse assunto. Quem quiser entrar em contato com ele (não vai se arrepender!), seguem os telefones de contato: 3892-3909 (clínica) ou 9-9778-2825.

1-  O que é um amor possível?
Quando falo de amor possível quero dizer tornar possível uma relação. Não existe receita para o amor porque amar é um constante exercitar. Com certeza, o primeiro passo para possibilitar o amor é ser honesto consigo mesmo. É preciso traçar um fio condutor em relação a quem se é e ao que se quer e se preparar paras as transformações necessárias. Não possibilita você querer uma coisa e não ser o que corresponde a isso. Por exemplo, querer um amor bem humorado e ser uma pessoa que está sempre reclamando. Então, amor possível é aquele que corresponde ao que eu sou, reflete essa imagem. Toda relação é um espelho da nossa relação interna e do que aprendemos com a relação dos nossos pais. Se aprendemos algo que não nos possibilita, podemos aprender algo que nos possibilita.

2-  Por causa da sua profissão, você escuta muitas histórias de amor e desamor. Existe algum segredo para amar e não sofrer?
Não, apenas é possível criar recursos que auxiliam a lidar com o sofrimento e quanto mais recursos você tiver, menos vai sofrer! É preciso enxergar a relação como ela verdadeiramente é. O amor começa com o anseio de que o outro possua características que me faça feliz ou me complete. Se eu quero alguém que me complete, quer dizer que não sou inteiro e o mínimo que pode acontecer é ficar na dependência do outro para ser feliz. Com certeza, isso trará dor à medida que o outro não pode corresponder minhas expectativas. Por outro lado, eu também vou mostrar o meu melhor e esconder minha sombra, aquilo que não gosto em mim. Se eu não gosto de algum aspecto em mim mesmo, deveria buscar transformar isso de alguma maneira. O processo de coaching, usando a PNL como ferramenta, proporciona essa transformação. Outro momento é o da adaptação, e se adaptar também dói porque requer abrir mão de partes do ego. À medida que os parceiros vão ficando íntimos, as máscaras vão caindo e é preciso lidar com isso também. O fim da relação também é outro aspecto do amor onde há dor. É preciso atravessar o período de luto. Não há uma maneira elegante de terminar uma relação e sempre haverá a parte que ainda está dependente e sofre, se ainda dependo de alguma coisa vou ter uma crise de abstinência, como uma droga. E aí é preciso de tempo e de terapia para ajudar a passar pelo processo. Com certeza, para não sofrer é preciso ter uma boa relação consigo mesmo. Dessa maneira, não há dependência do outro e você apenas busca somar em uma relação. Se eu espero que outro me faça feliz, então eu dou o poder da minha felicidade nas mãos do outro e me torno refém disso.

3-  Eu conheço algumas pessoas que se recusam a amar com medo de sofrer uma decepção. O amor é algo que possa ser evitado ou apenas uma questão de tempo até encontrar a pessoa certa?
Não há como evitar o amor e, de uma maneira simbólica, nascemos de um ato de amor! Você encontra o amor à medida que busca a si mesmo. Sendo completo, você não exige do outro e se possibilita para isso. Então podemos pensar que não há uma pessoa certa, e sim uma postura certa, mas é interessante se pensar também é que não há uma pessoa só, existem várias pessoas que podem ser candidatas ao seu amor. Alma gêmea é coisa do passado, do romantismo do século XVIII e XIX onde morrer de amor era um ícone. Hoje na era da informação a busca pelo amor se torna plural. Você tem a possibilidade de conhecer muito mais pessoas do que no século passado. Namora mais, casa mais, se separa mais! Então aprendendo mais sobre relacionamentos e sobre nós mesmos. Se o outro serve como um espelho para mostrar nossa imagem, então a variedade no amor pode ser muito benéfica. Portanto não há a pessoa certa, existem possibilidades. Isso não quer dizer que não haja pessoas que se apaixonem, casem e fiquem juntos o resto da vida. Estamos vivendo um momento de pluralidade e essa é mais uma opção de relacionamento. Não vamos nos enquadrar em modelos, sejamos livres para experimentar! Lembrando a questão do amor próprio, a relação externa sempre vai depender de como o indivíduo se relaciona internamente.

4-  Porque algumas mulheres se envolvem apenas com homens que as fazem sofrer?
Podemos usar vários modelos: mulheres que ainda se relacionam com sua própria expectativa. Que repetem um padrão, e que normalmente aprenderam com seus pais. Porque não permitem intimidade. Um caso interessante é a mulher que lá no fundo, por conta de alguma estrutura emocional, não quer estabelecer uma relação de verdade e só se relaciona com homens comprometidos ou impossíveis. Ela sofre, mas no fundo ela garante algum tipo de segurança. É um padrão. No caso de mulheres que são vítimas dos parceiros, e isso é um assunto delicadíssimo, há uma estrutura onde a mulher, mesmo racionalmente sabendo que precisa abandonar essa situação, não consegue porque aquela dor traz algum benefício. Pode não fazer sentido achar que ter um relacionamento brutal traz algum ganho, mas se não trouxesse a pessoa deixaria de viver essa relação. É quase como se ela só soubesse amar dessa forma, é preciso aprender outras formas de amar e se libertar desse padrão. A mulher que constantemente é traída e permanece com o parceiro também sofre o mesmo processo. E não pensem que os homens não sofrem de todos esses exemplos, pode não haver muitas mulheres que, por exemplo, batem fisicamente em seus parceiros, mas existem, também, outras formas de “bater”. Os homens também sofrem, e talvez mais ainda porque culturalmente eles não foram educados para entrar em sintonia com seus sentimentos e expectativas. As mulheres ainda discutem muito mais a relação e seus anseios do que os homens!

5-  Como identificar que a pessoa que está ao seu lado é a pessoa certa?
Quando nos sentimos à vontade do lado dessa pessoa. Mas vamos ampliar um pouco mais essa visão. É mais gratificante pensar que existem coisas que me trazem possibilidades e outras que me limitam. O que estou fazendo agora me limita ou me possibilita? Partindo desse princípio, não há pessoa certa, e sim, uma postura certa, ou melhor ainda, possibilitadora. Claro que há um conjunto de fatores que fazem com que uma pessoa pareça ser “a certa”: atração física, gostos em comum, nível cultural e ou financeiro e mais uma listinha que vai se tornando bem específica de pessoa para pessoa e, que pode nos levar de volta para a questão do tema autoestima. Mas tudo isso não é regra. No amor não há regras. A pessoa certa é um reflexo do que você é naquele momento. Você tem uma relação e durante o acontecer dela você vai mudando,o parceiro vai mudando, as expectativas vão mudando, tudo vai mudando. Então, a pessoa certa é aquela que está ao seu lado naquele momento porque ela vai funcionar como um espelho dos seus anseios e trazer a possibilidade de crescimento e de autoconsciência.

6-  Existem pessoas que vivem apaixonadas. Seja por alguém, uma causa ou profissão. Elas perdem o interesse conforme a poeira se acalma. Porque isso acontece?
A própria palavra já explica isso: Paixão! É como o fogo, tem combustão rápida. O entusiasmo e a euforia quando acaba não sobra nada, só cinza. É isso que acontece. É o famoso fogo de palha. Se durante esse momento de paixão não se desenvolver bases consistentes, e em uma referência à simbologia dos elementos da astrologia, não houver terra, a paixão acaba e não sobra nenhum chão para o amor florescer.

7-  É possível saber diferenciar quando uma paixão se transforma em amor ou se na verdade o amor se transformou em um relacionamento morno e cômodo?
Você colocou três pontos aqui: a paixão, o amor e o companheirismo (o que é um relacionamento morno e cômodo?). Isso vai depender muito mais da expectativa que cada um tem do que de uma pseudo regra de relacionamento. Podemos trabalhar conscientemente para quando a paixão acabar ficar um solo fértil para o amor florescer. Então é possível a paixão se transformar em amor. Esse também é o caso em que o amor “acaba” por falta de paixão e vai ficando morno e cômodo transformando-se em companheirismo. Qual a sua expectativa? Independente de qual for, é preciso cuidar da relação para que ela esteja sempre viva. Se você quer paixão, amor ou companheirismo reflita isso. Seja o que você quer!
Agora, no caso do amor ter acabado de fato e a relação entrar em um vazio, onde a comodidade e o conformismo tomem conta da sua vida, é preciso ser realista. Partir para outra pode ser o início de uma nova vida. É preciso coragem para avaliar tudo o que está acontecendo e tomar atitudes que serão benéficas para ambas às partes.

8-  O amor adormecido após muitos anos de relacionamento pode ser renovado? Como?
Claro que pode! Mesmo que haja camadas de mágoas por cima. Em algumas situações é preciso buscar um profissional, caso já esteja em um estágio muito complicado, mas na maioria das vezes, a vontade dos parceiros e uma conversa franca sobre os anseios e desejos de cada um já podem resolver muito. O maior problema é o silêncio e o “eu acho que ele acha que eu acho que ele acha”. Achismo não leva a nada. Não se pode alucinar sobre as coisas, nesse momento é preciso olhar o problema de frente, primeiro se conscientizando de suas próprias necessidades e depois das necessidades do parceiro. A CNV -Comunicação Não Violenta - tem técnicas de conversação focadas na solução. Basicamente, é saber formular a pergunta para se ter a resposta certa.
Para renovar o amor, fazer gestos românticos, sair da rotina, promover noites só para os dois e muitas outras dicas que vemos com frequência em revistas de aconselhamento funcionam muito bem. Vale a pena lembrar que um dia vocês se amaram e resolveram partilhar isso juntos. Que tal lembrar como era naquela época? O que vocês faziam que não fazem mais? E não venham com a desculpa de que eram jovens ou que não tinham filhos, o amor fica morno porque os parceiros ficam mornos em relação à própria vida. Um casamento tradicional tem a lua de mel que é o momento só do casal, depois vêm filhos e a atenção do casal se amplia, nesse momento pode acontecer a primeira esfriada porque temos coisas práticas para lidar: trabalhar, educar os filhos e a vida é corrida. Temos que ter as surpresas e imprevisto, provocar isso. Muitas vezes acontece dos parceiros ficarem esperando que o outro faça alguma coisa, reclamam que eles mudaram, mas não se perguntam o que eles mesmos podem fazer de diferente. Existem milhões de conselhos e dicas por aí de como alimentar a relação novamente. É simples, começou a cair na monotonia, faça algo diferente, não espere o parceiro, e seja franco se as expectativas não forem satisfeitas.