segunda-feira, 7 de julho de 2014

Família - Um encontro de amor


 
Nem todo mundo tem a graça de nascer, viver e morrer junto à mesma família.
Aliás, o conceito de família é amplo e para alguns não significa conviver com o pai, a mãe, irmãos, tios e avós.
Isso é compreensível porque não escolhemos a família em que nascemos. Apenas acontece. Abrimos os olhos e estamos cercados de pessoas a quem devemos amar.
Devemos? Desde quando o amor é um dever?
E, ao longo da vida, tem gente que se sente como um tomate, que pertence à família dos frutos, mas em seu íntimo sabe que é e para sempre será um legume.
Até que um belo dia o tomate resolve pular do cesto e, apesar de alguns machucados inevitáveis, sai à procura de pessoas a quem amar.
Ô exemplo estranho esse, não é?
Comigo foi mais fácil, eu tive a boa sorte de nascer em uma família amorosa e com a qual eu estou presa por laços de afeto.
Mas, há cerca de um mês, a descoberta de novos integrantes mexeu com a minha família e nos tirou da zona de conforto.

 
 
 
O encontro aconteceu graças ao facebook, foi através desta rede de contatos que a minha prima descobriu que a minha mãe tinha um novo irmão, de apenas 32 anos, chamado Valério.
A princípio duvidamos de que isso fosse verdade, ficamos ressabiados. Durante todos esses anos nunca tivemos uma pista da existência dele. Nada poderia nos preparar para isso.
Mas, conhecendo um pouco da história do meu avô e vendo a fotografia daquele que se apresentava como o meu novo tio, aos poucos fomos deixando as reservas de lado.
O meu avô estava separado da minha avó quando o meu novo tio nasceu. Na época, ele já estava no segundo casamento e tinha outro filho chamado Valério.
Isso mesmo, os dois filhos do meu avô tem o mesmo nome: Valério.
Em homenagem a quem: ao meu avô. Que se chama? Valério.
Não demorou muito e marcamos um encontro. Os dias que se seguiram foram um misto de emoção e medo. Como seria reunir todos os irmãos na mesma casa?
E quando o dia do encontro chegou o meu novo tio Valério chegou à casa da minha mãe com a esposa Cecília e a filhinha recém- nascida, a Hana.
O meu outro tio Valério também veio com a esposa Lisa, de Santa Catarina.
A minha mãe e as suas irmãs Ligia e Rosa estavam esperando com um sorriso largo e coração desarmado, em segundos todos se abraçaram.
O tempo passado deixou de importar, estavam ali para se conhecerem e se amarem.
Esse sentimento contagiou a todos e compartilhamos o que há de melhor em nós, deixando o passado onde ele deve ficar: no passado.
Depois disso já nos encontramos outra vez e o prazer em estar junto é o mesmo. Outro dia a minha mãe comentou:
- Parece que já conheço o meu novo irmão há muito tempo.
Dele eu ouvi a seguinte frase:
- Estar com vocês é uma alegria.
Uma vez eu ouvi que a vida não é justa.
Se a gente pensar que esses irmãos perderam 32 anos de convivência...
Mas, também sei que a vida exige da gente um pouco de coragem e às vezes um pouco mais.
E nada exige mais coragem do que abrir o coração e deixar o amor entrar.  
 
 
Sejam bem- vindos, tio Valério, Cecília e Hana à nossa família e aos nossos corações.