terça-feira, 14 de outubro de 2014

A dor de amar demais



Eu sempre ouvi dizer que, com a idade, poderiam vir às rugas, as dores no corpo, a vista cansada e a audição prejudicada, mas nunca ninguém me alertou para algo ainda mais radical: conforme ficamos velhos, vamos tendo de nos despedir de alguns amigos que teimam em morrer antes de nós.




Eu sempre ouvi os meus pais conversarem sobre os amigos que já tinham morrido, mas isso nunca tinha acontecido comigo e, simplesmente, ignorava a dor que é ter de se despedir de alguém, sabendo que não vamos encontra-lo mais no supermercado, em uma festa ou na areia da praia.
Se ninguém alertou você para isso, eu estou fazendo isso agora: envelhecer é um treino para o coração e para isso não existe exame preventivo, ginástica ou dieta de alimentação saudável, que resolva o problema.
Eu acho que até por isso que o resto do corpo fica meio caído com o tempo, as rugas, as pelancas..., é que os órgãos se contraem e se estendem com um objetivo: aguentar os golpes no coração.  Tudo se resume a isso.
Hoje, também entendo por que algumas pessoas sentem um medo terrível de amar. Eu nunca compreendi isso. Medo de amar, medo de se entregar, medo de ter filhos...
Mas, hoje, consigo entender isso também.
Ninguém pode mandar nos sentimentos, mas pode evita-los. E tem gente que faz isso, evitando se envolver demais em uma relação, pulando fora sempre que se sente ameaçada em seus limites.
Por quê? Por medo de sofrer a dor da perda.
A única certeza que existe é que todos nós vamos morrer algum dia, portanto, isso é lógico: amar é sofrer.
Amar é se comprometer, planejar o futuro, construir uma história..., mas também consiste em aceitar que um dia vai sofrer tanto, mas tanto, mas tanto, que chegará a duvidar que a felicidade já existiu.
Ninguém pensa nisso seriamente, porque eu acho que se pensássemos, o amor não seria tão popular... Ou somos todos masoquistas?