quarta-feira, 18 de março de 2015

Crônica | Eu gosto é de escrever!


Eu fui convidada pela professora Lidyane, que ministra aulas no Colégio Mestre, de São Sebastião, para conversar com os alunos do 7º, 8º e 9º anos sobre a minha profissão de jornalista.

Eu nunca tinha falado sobre esse assunto para uma turma tão grande e estava com um frio na espinha. Eu fui a segunda pessoa a falar e enquanto aguardava a minha vez fiquei olhando para os rostos daqueles jovens e pensando:

- De que servirá contar a minha experiência?

A experiência seja profissional ou amorosa é sempre única. Sempre que a gente fala sobre si mesma cai no risco de parecer presunçosa, como se quisesse dar sermão, pior, uma lição de moral, cruzes!

Naquele momento, eu podia até imaginar a mente deles bem distante daquela sala, vagando em qualquer lugar entre o sinal da saída da escola e o início do final de semana.

- Sexta- feira. Péssimo dia para um sermão, dizia pra mim mesma.
Para agravar a minha situação, eu não me sinto confortável para falar sobre a profissão que eu escolhi e amo de paixão.

Há alguns anos, quiseram os nossos amados políticos que o jornalismo passasse a deixar de ser reconhecida como uma profissão séria, abolindo o diploma universitário como porta de entrada para o mercado de trabalho.
Hoje qualquer um pode obter o MTB e se considerar jornalista, o que além de desvalorizar os profissionais da área desmoraliza o nosso meio de trabalho, cada vez mais repleto de farsantes e pessoas que se vendem a preço mínimo.





Mas, se eu não estava disposta a dar sermão, também não tinha a intenção de desestimular os jovens que ainda sonham em se tornarem jornalistas.
"Todo trabalho tem um tanto de inspiração e muito de transpiração". Essa frase veio na minha cabeça.

A inspiração, o movimento involuntário surge a partir das idéias que ficam dentro de nós pedindo para sair, como um bando de passarinhos assanhados presos na gaiola e pedindo para voar.
No caso, os passarinhos são as palavras que eu liberto quando escrevo, mas cada um tem uma forma de expressar a sua inspiração e libertar a alma.

A transpiração, o esforço contínuo e às vezes doloroso, as noites acordadas pensando na melhor forma de construir uma frase e escolhendo a palavra certa.
Os passarinhos ficam batendo asas e fazendo barulho na minha cabeça, enquanto eu tento escolher qual deles está pronto para voar, qual é o mais forte e o mais adequado. Qual eu solto e qual eu protejo para soltar em outro momento. Isso pode durar horas ou dias.





Não à toa a palavra trabalho significa tortura. O termo vem do latim tripalium, um instrumento romano de tortura.
Nesta sexta- feira, eu não quis torturá-los (espero que não tenha feito isso!), mas tentar inspirá-los ao falar como me sinto quando estou escrevendo as minhas crônicas, espero ter chegado lá.

Espero ter conseguido. 
Como eu fiz na palestra, vou deixar aqui a frase do filme “A Sociedade dos Poetas Mortos”, que um dia também me serviu de inspiração: