quinta-feira, 12 de março de 2015

Lençóis Maranhenses – Simplesmente, o essencial


Estava em uma festa e fui sorteada com uma viagem para qualquer lugar do Brasil. Não pensei muito ao decidir o destino: Lençóis Maranhenses.

Eu descobri um lugar incrivelmente simples e, por isso, perfeito para quem não busca nada além de si mesmo.

A viagem foi marcada para o mês de agosto. A chegada foi em São Luís, onde fiquei uma noite antes de seguir para Barreirinha.

Fiquei hospedada em um hotel chamado Encantes do Nordeste (Um nome bastante significativo para mim, como pode imaginar), à beira do Rio Preguiça, e com um restaurante fabuloso chamado Bambaê.


No primeiro dia de passeio, eu fui conhecer o Parque Nacional dos Lençóis. O caminho até lá não é nada confortável, estrada de terra cheia de buracos.

Eu dei sorte de ir sentada no banco dentro do carro, mas a maioria segue naquela parte traseira da caminhonete adaptada com bancos e, além dos solavancos precisa aguentar o calor e a poeira.

Não digo isso para desanimá-la. Na minha opinião, a beleza do lugar vale o desconforto. Essa viagem é para quem tem espírito aventureiro e gosta de aproveitar o dia.


Prepare-se para encontrar um ambiente rústico. Para chegar ao parque o carro atravessa o Rio Preguiça em uma balsa. Do outro lado, eu lembro que tinha um quiosque onde provei a melhor tapioca da minha vida. Olha que já provei muitas.

Chegando lá, descemos do carro e caminhamos um pouco até chegar à primeira piscina de águas transparentes, onde algumas pessoas já se refrescavam.


Como queríamos conhecer lugares mais tranquilos decidimos fazer uma trilha com um guia. Importante dizer que ao contrário do que você pode pensar, apesar do calor, a areia não esquenta a ponto de queimar os pés.


Isso ocorre devido à ação dos ventos que faz com que as areias e as dunas mudem todo o tempo de lugar e tamanho. Por isso, jamais caminhe por lá sem a companhia de alguém que conheça bem o lugar porque a paisagem muda o tempo todo.


PAZ 


Para que o passeio ao parque seja realmente incrível é preciso escolher a época certa para visita-lo, caso contrário, as piscinas estarão secas.

O ideal é ir até lá entre os meses de fevereiro e setembro.


ESPERANÇA


Nós ficamos lá até o pôr do sol, observando o visual deslumbrante da areia branquinha recortada pelas lagoas de águas azul e verde.


A lua me fez companhia neste fim de tarde.


No segundo dia, nós fizemos um passeio de barco pelo Rio Preguiça, de águas calmas, para conhecer as comunidades ribeirinhas.


PARTIU

Para chegar até as comunidades, o barco segue um caminho por entre a mata fechada. Passamos por manguezais e ouvimos o barulho dos animais. Todo mundo em silêncio...


SILÊNCIO


O passeio dura o dia inteiro. É importante levar dinheiro, nem todos os lugares aceitam cartão de crédito. A primeira parada foi nas dunas dos Pequenos Lençóis, em Vassouras, um lugar muito bonito.




Neste povoado tem um bar e uma vendinha de artesanato.


Mas, a atração são os macacos que fazem graça para os turistas e, atenção, roubam comida!


A segunda parada foi em Mandacaru. Antes, fizemos uma parada para mergulhar no lugar onde o Rio Preguiça encontra o mar.


Ficamos pouco tempo, mas foi bacana.


Na chegada a Mandacaru tem uma barraca de bebidas com frutas típicas da região. Eu não tive coragem de experimentar. Fomos recebidos por um casal de irmãos, com idade de 5 e 6 anos, chamados de Sandy e Junior.


Eles se ofereceram para nos mostrar a vila e contar a história do farol. A vila é apenas uma rua de terra, com casas muitos simples, que nos leva direto ao farol.


Mas, aceitamos a companhia dessas duas crianças, mais pelo prazer de ouvi-los contar a história do lugar, com roteiro decorado, como se fosse uma rima e o sotaque todo típico, do que de fato por necessidade.


O farol de Mandacaru possui uma escadaria enorme, 28 metros de altura, mas o visual lá de cima é muito bonito.


Na volta, paramos para provar os sorvetes feitos pelos moradores locais com frutas típicas do Maranhão e comprar artesanatos feitos com as feitos com palha de buriti.


O preço me pareceu justo e aproveite para comprar colares, pulseiras e algumas lembrancinhas para a família.


A última parada do dia, antes de retornar ao hotel, foi em um restaurante em Caburé. Tomamos uma cervejinha gelada, peixe (claro!) e compramos o CD da banda que estava se apresentando no local.

Em Caburé dá para ver algumas casas e cercas praticamente cobertas pela areia, me lembrei do filme com a Fernanda Montenegro e a Fernanda Torres chamado “Casa de Areia”, que, aliás, foi gravado nos Lençóis.

No terceiro dia, nós fizemos o passeio pelas dunas de quadriciclo. O passeio é feito pelos pequenos lençóis porque é proibido veículos na área do parque.


O maridão dominou o volante e eu pude ir curtindo a paisagem, foi uma das vezes em que me senti mais livre na minha vida.

Cruzamos riachos, subimos e descemos dunas. No meio do nada, cruzamos com animais e duas crianças empurrando um carrinho de brinquedo amarrado a uma linha.

- Onde será que esse povo mora? É inacreditável que pessoas morem em um lugar tão ermo. A lembrança da civilização só aparece quando encontramos as hélices de energia eólicas, existem várias delas à beira mar.

Ahhh... o mar. Esse momento merece um parágrafo. O mar é bravo e as ondas trazem para a areia os troncos enormes de árvores, em diferentes formatos, parecem obras de arte.

É difícil descrever o sentimento, eu abri os braços e deixei o vento passar pelas minhas mãos e os meus cabelos. Magia.

Novamente paramos para almoçar em Caburé, onde aproveitamos para relaxar em uma das diversas redes que ficam nos quiosques.


Neste dia, nós voltamos mais cedo porque queríamos fazer o passeio de monomotor. Eu tenho um medo danado de avião, imagina um monomotor!


Mas, a vontade de ver a paisagem do entardecer nos Lençóis Maranhenses do alto falou mais alto. Conosco tinham outros dois casais.


É um calor tremendo dentro do avião e isso mais o fato de que não tem muita estabilidade por causa dos ventos é a mistura ideal para quem sente enjoo.


O meu marido passou mal. Eu estava tão assustada que bloqueei, só queria sair viva dali (exagero!) e me concentrei nas fotos.


No último dia, nós fizemos um passeio de bóia pelo Rio Preguiça. Novamente, a estrada não contribui. É tudo muito simples.


No caminho, paramos para comprar artesanatos de palha de buriti.


No rio de água gelada é só deitar/ sentar na bóia e se deixar levar pela correnteza. Na beira do rio, algumas mulheres lavam roupas e as crianças do vilarejo veem nos espiar.


Na certa devem achar muito engraçado um bando de louco boiando no rio como se fosse a coisa mais incrível do mundo, sendo que eles fazem isso todos os dias. Me senti meio boba, mas a felicidade é boba mesma.     


Nós conhecemos uma família que morava no vilarejo. No momento que nos aproximamos, o pai estava fazendo farinha de mandioca, é a forma como sustenta a família. Com paciência, nos mostrou todos os passos e ainda deu um bocadinho pra gente levar pra casa. Nós quisemos pagar, mas ele não aceitou. Foi um presente.

À noite a cidade de Barreirinha é pacata, tem algumas opções de restaurantes, mas para quem gosta de vida noturna talvez não seja uma boa opção.


Se for para lá leve protetor solar e roupas muito simples. Prepare-se para ficar cheia de areia e com os cabelos emaranhados pelo vento.

Esta viagem é para quem gosta de acordar cedo, aproveitar o dia, sentir o poder da natureza, não tem medo de experimentar novos sabores e está preparado para uma vida sem frescuras. Aqui só o essencial.