sexta-feira, 22 de maio de 2015

Campo de Concentração Auschwitz – Birkenau: Campo da Morte


Antes de nos despedirmos da Polônia, nós seguimos em direção à cidade de Oswiecim, onde estão localizados os Campos de Concentração de Auschwitz e de Auschwitz – Birkenau, chamado de Campo da Morte. 



Não se trata de um passeio por um local turístico, como um parque , desde o início fica claro que estamos em um Memorial, que visa resgatar a memória das vítimas de um holocausto.


O grupo segue em silêncio até o portão de ferro na entrada do Campo de Concentração de Auschwitz, onde está escrito “Arbeit Macht Frei”, que significa em alemão “O trabalho liberta”.

Esse portão era o mesmo atravessado pelos prisioneiros, durante a II Guerra Mundial, dando a esperança de que estavam chegando a um campo de trabalho e que se obedecessem as regras seriam libertados.





Quando falamos em Campo de Concentração de Auschwitz estamos nos referindo a um complexo formado por três campos: Auschwitz I, Auschwitz II – Birkenau e Auschwitz III – Monowitz.


 O primeiro e mais antigo campo, Auschwitz I, por onde começou a nossa visita, começou a funcionar em 14 de junho de 1940, porque as prisões estavam superlotadas com o aumento do número de presos polacos.


Beliches utilizados pelos presos em Auschwitz I
A data da sua fundação é marcada pela chegada do primeiro transporte com 728 prisioneiros polacos, considerados como pessoas muito perigosas, entre estes estavam líderes sociais e religiosos, membros da inteligência, cultura e ciência, membros do movimento da resistência e oficiais.
Parede da Morte, onde os nazistas fuzilaram milhares de pessoas.
Com o tempo, as autoridades alemãs passaram a enviar para o campo os prisioneiros de outros países ocupados, bem como judeus, ciganos, prisioneiros de guerra soviéticos, homossexuais e Testemunhas de Jeová. Eles eram registrados e numerados.


Casa onde morava o comandante do campo, Rudolf Höss, com a família ficava muito
 próxima da câmera de gás, em Auschwitz I.
A partir de 1942, o campo passou a exercer uma segunda função – tornou-se um centro de extermínio em massa de judeus europeus. Morreram somente por motivo de sua descendência, independente da idade, sexo, profissão, nacionalidade ou princípios políticos.


Entrada da câmara de gás em Auschwitz I
 

Local por onde os nazistas jogavam o gás tóxico  Zyklon B.
Após a sua seleção, a maioria dos recém- chegados era assassinado em câmaras de gás, após serem definidos pelos médicos como inaptos para o trabalho: pessoas doentes, idosos, mulheres grávidas,crianças. Essas pessoas não chegaram a ser marcadas com números ou registradas.

Em maio de 1944, os nazistas deportaram para Auschwitz cerca de 440 mil judeus da Hungria.
Vista de dentro do Campo de Concentração de Auschwitz II –Birkenau, o Campo da Morte.

Trem onde eram transportados os judeus que chegavam ao campo, sem qualquer ventilação. Muitos morriam antes de chegar. Outros quando desciam do trem já seguiam direto para a câmera de gás.


Em Birkenau existiam dois tipos de barracões: tijolo e madeira.

Nesse mesmo tempo, os fotógrafos alemães realizaram no Campo de Auschwitz II –Birkenau quase 200 fotos.




Abaixo mulheres/ crianças enviados para a câmara de gás.
Nestas fotos, pode-se observar, entre outros, a seleção dos recém- chegados, pessoas indo para as câmaras de gás ou esperando pela morte e também a seleção de coisas que pertenciam às pessoas assassinadas.



Pessoas caminhando para a câmara de gás.
Vítimas do Campo de Concentração de Auschwitz (dados aproximados):
Judeus – 1, 1 milhão deportados – 200 mil registrados - 1 milhão mortos
Polacos – 140 a 150 mil deportados -  140 mil registrados – 70 a 75 mil mortos
Ciganos – 23 mil deportados – 23 mil registrados – 21 mil mortos
Prisioneiros Soviéticos – 15 mil deportados – 12 mil registrados – 14 mil mortos
Outros – 25 mil deportados – 25 mil registrados – 10 a 15 mil mortos


Esse barracão era o banheiro. Os prisioneiros não tinham privacidade nenhuma.
Apesar do mau cheiro e da sujeira, muitos queriam trabalhar aí, limpando os escrementos, porque o lugar é coberto e eles ficavam tão fedidos que os guardas não se aproximavam.  
 No total, foram 1,3 milhão de pessoas deportadas para os campos, sendo que apenas 400 foram registradas e cerca de 1,1 milhão foram mortas, em consequência da fome, trabalhos forçados, execuções e também das péssimas condições de vida, com doenças e epidemias, castigos, torturas e criminosos experimentos médicos.


Monumento Internacional das Vítimas do Holocausto
 


Ruínas da câmara de gás e crematório número 3, em Birkenau
Com o avanço das tropas soviéticas, os alemães colocaram fogo nos armazéns. Mesmo com todo o esforço, os nazistas não conseguiram apagar as provas dos crimes.

No final de 1944, com a aproximação do Exército Vermelho, as autoridades alemãs do campo iniciaram o processo de apagar os vestígios de seus crimes, como por exemplo, a destruição de documentos e das câmaras de gás. Mas, não tiveram tempo para destruir tudo.  

Neste museu, estão guardados:


- Mais de 80 mil sapatos;
- Cerca de 3,8 mil maletas, destas 2,1 mil com inscrições.
- Cerca de 12 mil panelas;
- Cerca de 40 kg de óculos;
- 460 unidades de próteses;
- 570 unidades de roupas de campo, os chamados listrados;
- Entre outros objetos, estão cerca de duas toneladas de cabelos de mulheres deportadas para o campo.


Nas coleções dos campos encontram-se documentos que não foram destruídos. Cerca de 39 mil negativos de fotografias de prisioneiros recém- chegados e cerca de 2,5 mil fotografias familiares, trazidas ao campo por judeus.
Esse era o caminho que os judeus seguiam quando chegavam em Birkenau para ir a câmara de gás
No Museu também estão guardadas as anotações feitas durante a guerra pelos prisioneiros judeus do chamado Sonderkommando, que eram obrigados a queimar, nos crematórios, os cadáveres dos assassinados. Juntamente com os depoimentos dos prisioneiros, esses documentos são importantes provas dos crimes dos nazistas.

Câmara de gás foi destruída pelos nazistas.
Barracão de Madeira
Alguns meses após o fim da guerra e a libertação dos campos nazistas, um grupo formado por ex- prisioneiros polacos começou a propagar publicamente a ideia de conservar a memória das vítimas de Auschwitz.


Assim que foi possível, uma parte deles chegou ao terreno do antigo campo para proteger objetos e ruínas. Eles organizaram a Defesa Permanente do Campo de Oswiecim e começaram a cuidar dos milhares de peregrinos, que começaram a chegar em massa, buscando sinais de seus familiares, orar e prestar homenagens aos assassinados.

Em 2 de julho de 1947, o parlamento Polaco aprovou a emenda no sentido de preservar eternamente os terrenos e objetos do antigo campo e fundou o Museu Nacional Oswiecim- Brzezinka. Esse nome foi mudado em 1999 para Museu Nacional de Auschwitz- Birkenau.

As pessoas que desejem receber informações sobre ex- prisioneiros podem entrar em contato, pessoalmente ou por escrito, com o Serviço de Informações sobre Ex- prisioneiros. Os funcionários irão ceder informações, baseados em documentos existentes e relacionados com o campo. Infelizmente não existe informações por escrito sobre a maioria dos prisioneiros, pois a maior parte foi destruída pelos alemães.