terça-feira, 12 de maio de 2015

Budapeste em 2 dias – Uma cidade para amar

Europa
 
Hungria - Budapeste
 

Nós chegamos a Budapeste, capital da Hungria, no final de tarde. Eu fiquei encantada com a beleza desta cidade, que lembra-me demais Paris (FR) com as suas pontes a cruzar o rio Danúbio, onde os barcos passeiam devagar levando centenas de turistas deslumbrados com o visual do castelo, do magnífico Parlamento e todas as construções fabulosas que tem ao redor. É muito adjetivo, mas são todos justos. Pode acreditar.



A cidade já pertenceu a vários povos, os celtas, romanos, turcos e já foi a segunda capital do império Austro- Húngaro e cada um deles deixou sua marca na gastronomia, arte e cultura, transformando-a em uma cidade global e contemporânea, um grande contraste com os prédios antigos que tomam conta da paisagem.


Antes de começar a contar sobre as minhas aventuras e elas foram muitas, eu preciso explicar algumas coisas sobre Budapeste.
Budapeste é resultado da fusão das cidades de Buda e Ôbuda, que ficam na margem direita do Danúbio, e Peste, que está na margem esquerda.


Apesar de unidas pelo nome, continua dividida quando o assunto é localização.
Por exemplo: Onde fica o Parlamento? Em Peste.
E onde fica o castelo? Em Buda. É assim que funciona.

O nome da moeda usada na Hungria é o florim. 1huf (florim) equivale hoje a 0,0033 euros. Nós ficamos hospedados em um apartamento no centro de Peste, alugado através do site Airbnb. A localização do apartamento era ótima e já estava escuro quando saímos para comprar as guloseimas para o café da manhã.


Nesse mercadinho, eu comprei algumas comidinhas que são muito apreciadas pelos húngaros. Uma delas é um pãozinho chamado Pogácsa, a primeira vista até parece um pouco sem graça, mas é coberto com queijo gratinado e muito gostoso.


Outra coisa que eu comprei foi um chocolate chamado Túró Rudi, vem em uma embalagem branca com bolinhas vermelhas. Eu tinha lido que ele só era encontrado na Hungria e estava ansiosa para experimentá-lo, mas sinceramente eu não gostei. Por fora é chocolate, mas por dentro tinha uma espécie de coalhada meio salgadinha. Eu li que tem em outros sabores, vale experimentar.

Nesta noite, resistimos ao frio e caminhamos até as margens do Rio Danúbio, onde avistamos o lado de Buda todo iluminado, com destaque para o castelo e a igreja de Nossa Senhora, mais conhecida como igreja Matias. Com essa bela despedida, nem preciso dizer que estávamos super ansiosos para começar a nossa visita pela cidade.

O nosso apartamento ficava há poucos metros da Basílica de Santo Estevão, a maior igreja da Hungria, com capacidade para 8500 pessoas.


Na sua entrada principal há uma inscrição em latim: “EGO SUM VIA VERITAS ET VITA”, que em português significa “Eu sou o caminho, a verdade e a vida”.

Uma grande estátua de mármore em tamanho natural de São Estevão domina o principal altar da basílica.

Em ambos os lados, pinturas do século XIX retratam cenas da vida do rei que se tornou santo.

A basílica é repleta de objetos preciosos, muitos deles de prata e ouro. Entre a pequena coleção de joias religiosa está o antebraço mumificado de Santo Estevão.


Pertinho dali fica o magnífico prédio do Parlamento húngaro, é aberto para visitas, mas não tem como reservar com antecedência. Para conhecê-lo por dentro, é preciso estar disposto a acordar muito cedo, o que não foi o nosso caso.

Nós caminhamos pelas ruas de Budapeste, passamos por diversos cafés e lojinhas, o lindo prédio da Ópera. 


...e chegamos novamente ao Rio Danúbio, onde em frente à Ponte das Correntes pegamos o ônibus turístico.

Nós pagamos 20,00 euro/ pessoa, o que daria o direito a utilizar o ônibus durante 48 horas, mas como naquele dia estava tendo uma maratona na cidade, nós ganhamos mais um dia grátis de passeio.


A Ponte das Correntes (Ponte Széchenyi Lánchíd) é uma ponte pênsil que atravessa o rio Danúbio entre Buda e Peste, inaugurada em 1849, ela é um dos cartões postais da cidade e fica especialmente linda te à noite, quando as pesadas correntes brilham com milhares de luzes.

A mais antiga de Budapeste, essa ponte é protegida por esculturas de leões. Diz à lenda que o escultor dos leões ficou tão fascinado por sua obra, que desafiou alguém a encontrar um defeito nelas, dizendo que se isso acontecesse, ele se jogaria no rio Danúbio.
E não é que um morador mais atento, disse: - Os leões não têm olhos! Tchibum...adios para o escultor!

Em Budapeste, o antigo e o novo formam um casamento harmônico. Um grande exemplo é a obra super moderna, em formato de Baleia, que deu nova vida aos prédios dos armazéns à beira do rio Danúbio. Um espaço público com bares, restaurante, lojas, que é usado para eventos, concertos, conferências e exposições.


Nossa primeira parada foi para conhecer as Termas do Hotel Gellért, um spa super luxuoso, resquício da tradição romana. Ele fica dentro de um hotel, mas não precisa ser hóspede para passar o dia ali.

A fachada é linda, reis e rainhas, celebridades e vários presidentes já se hospedaram no hotel. A suíte presidencial de nº 318 ainda conserva a placa com o nome do Presidente Richard Nixon.


As águas termais do Hotel Gellért oferecem água rica em cálcio num ambiente de requinte e glamour. Dizem que é o mais extraordinário spa  de todo Leste Europeu.

Bem pertinho dali, do outro lado da rua, fica a Igreja da Caverna, construída em 1929, que se tornou um lugar de peregrinação para os húngaros, durante os tempos da guerra e depois na ditadura comunista quando chegou a ser fechada com um muro de cimento.



Para visitar a igreja é preciso pagar. Por causa da água termal que passa embaixo da caverna, a temperatura ali é sempre 20º graus não importa a época do ano.

Do mirante da igreja da caverna é possível ter uma linda vista da cidade de Budapeste e da Ponte da Liberdade ou Szabadsághíd.
Os pilares mais altos foram decorados com grandes estátuas de bronze de Turul,uma espécie de falcão, o animal mais importante na mitologia Húngara, símbolo de poder, força e nobreza.
Neste dia resolver nos dar de presente um almoço especial e fomos conhecer o New York Café, que é considerado o café mais bonito do mundo! 
  
O New York Café foi aberto em 1894, em um edifício majestoso, estilo renascentista, decorado com mármore, bronze e veludo e logo se transformou no centro literário e artístico de Budapeste.
A primeira Guerra Mundial pôs um ponto final na era dourada do Café e, após a ameaça de outra guerra mundial e a crise de 1930, o Café foi fechado temporariamente. 



Após ser restaurado, desde 2006, o Café New York foi reaberto e recebe a visita de pessoas de todo o mundo. O lugar é muito chique e, o mais importante, a comida é boa.
Eu provei uma pasta com molho de salmão e um bolinho de chocolate de sobremesa, sensacional. O preço é justo.


Nós caminhamos até a Sinagoga da Rua Dohány, considerada a maior e mais monumental da Europa.

Ela consegue acolher mais de três mil pessoas no seu interior, e é onde não apenas judeus de Budapeste, mas de todo o mundo se reúne regularmente.


Durante a 2ª Grande Guerra, foi o centro de comunicação dos nazistas e, por isso, ficou bastante destruída pelos bombardeios. 



A visita a Sinagoga pode ser feita com um guia e é muito interessante porque explica sobre os costumes do judaísmo, seus símbolos e o que ocorreu ali durante a 2ª Guerra Mundial. O passeio custou 2700 huf (florins), o equivalente a 9 euros.


No jardim ao lado da sinagoga há um cemitério judaico e a escultura de uma árvore, em aço, nas suas folhas estão escritos nomes de judeus húngaros vítimas do holocausto. Algumas folhas não tem nada escrito, simbolizando os judeus que não foram reconhecidos.


Também há um Memorial em homenagem aos que ajudaram a salvar muitos judeus durante a guerra, entre eles, o embaixador da Suécia, Raoul Wallenberg, que emitiu passaportes suecos aos judeus, ajudando a salvar 15.000 vidas.



Adivinhe o que eu encontrei ao lado da Estação do Metrô Astoria, que fica bem próxima da Sinagoga? O trdelnik, aquele pão enroladinho, coberto de açúcar e canela, que eu amei experimentar em Praga/ República Checa. Na Hungria ele tem outro nome: Kürtőskalács.

Como você pode ver, eu não resisti.


Chegamos a Avenida Andrássy, larga e comprida, ao redor ficam os prédios de antigas mansões, onde no passado moravam os aristocratas, banqueiros, latifundiários e famílias históricas.



É uma espécie de boulevare une a Erzsébettér (Praça Isabel) com o Városliget (Parque da Cidade de Budapeste).


Por ali também estão muitas boutiques chiques, entre elas, Louis Vuitton, Ermenegildo Zegna, Vertú, Burberry, Gucci e Roberto Cavalli.


Em um dos extremos desta avenida fica a Praça dos Heróis. No centro da praça ergue-se o Memorial do Milênio, com estátuas dos líderes das sete tribos magiares que fundaram a Hungria no século IX e outras personalidades da história húngara.


De ônibus seguimos até a Cidadela, onde tivemos uma vista geral da cidade, com as suas oito pontes e prédios fabulosos.




A apreciação da vista da cidade do topo da colina é gratuita e um passeio imperdível, mas cobra-se uma taxa para entrar no Museu da Cidadela e para subir no topo das muralhas.


Nós passamos em frente ao Castelo de Budapeste, com o seu funicular, mas estávamos cansados demais e decidimos seguir para a nossa próxima aventura: o passeio de barco pelo Rio Danúbio.
 

Enquanto esperávamos o horário do passeio, nós tomamos um café no Kiosk, um espaço enorme e super contemporâneo, que fica em um prédio antigo.

Como tudo em Budapeste, ele une o novo e o antigo com muito charme.
O passeio de barco é muito romântico e o preço estava incluso no valor do passeio do ônibus turístico.



 O entardecer em Budapeste é sensacional.


Conforme o sol se despede, os prédios e as pontem ficam iluminados e a cidade se transforma.

É uma beleza de tirar o fôlego. Momento para agradecer pela oportunidade de estar em um lugar tão bonito e histórico.
Completamente feliz, nós caminhamos pela Rua Váci, uma das principais vias de pedestres e, talvez, a mais famosa rua do centro de Budapeste, com um grande número de restaurantes e lojas. Aqui estão: Zara , H & M , Mango , Espirit , Douglas, Hard Rock Café, entre outros. 

A rua se abre para Praça Vörösmarty, onde estava tendo um festival de comida e artesanatos húngaros, embalado por uma banda local.
Durante 150 anos, Budapeste fez parte do império otomano, ou seja, foi ocupada pelos turcos também. Além de alguns prédios em estilo oriental e decorados com mosaicos, esse povo deixou uma grande contribuição para a gastronomia local que foi a páprica.


Esse tempero é super comum na culinária húngara e nós tínhamos que experimentar. Fizemos isso ao provar a sopa de goulash, servida no pão. Só de pensar já sinto água na boca. Sensacional!


Talvez tenha sido a felicidade ou o excesso de sopa, mas o fato é que nós saímos caminhando rumo ao nosso apartamento e pegamos o caminho errado. Meia hora depois, encontramos a Bóri (não sei se é assim que escreve o nome dela).


A Bóri foi o nosso anjo da guarda em Budapeste. Ela nos deu duas passagens de trem e foi conosco para ter certeza de que não teríamos problemas para validar o bilhete e que desceríamos no lugar errado.
No dia seguinte, antes de seguir viagem para Cracóvia (Polônia), nós ainda fizemos um último passeio até as margens do Danúbio para homenagear os judeus que foram atirados no rio.
 Ali tem uma escultura de vários sapatos enfileirados, todos apontados para as águas, onde as pessoas deixam velas e pedras, para demonstrar que eles jamais serão esquecidos.
   
Eu jamais esquecerei!