terça-feira, 2 de junho de 2015

Dica de Livro - A Bibliotecária de Auschwitz, de Antonio G Iturbe


Tem livros que a gente escolhe, mas outros que escolhem a gente.  Só faltam pular nos nossos braços. Exagero? Talvez.
Mas, o livro A Bibliotecária de Auschwitz foi um desses casos em que o livro me escolheu. Eu entrei apressada na livraria, atrasada para pegar o voo e eis que ele estava lá, saltando aos meus olhos.
Não li o prefácio e mal reparei no título, paguei e fui embora.
Somente no avião, com mais calma, reparei que a história do livro se passava em algumas cidades que estavam no meu roteiro de viagem: Praga (República Checa) e Auschwitz (Polônia).
E foi com esse livro: A Bibliotecária de Auschwitz, um romance baseado em uma história real, que eu fiz uma viagem pela história mais sombria da Europa: o Holocausto.
A Bibliotecária de Auschwitz conta uma história verdadeira sobre um professor judeu, Fredy Hirsh, que criou uma escola secreta dentro do bloco 31, no campo de concentração de Auschwitz, dedicando-se a lecionar para cerca de 500 crianças.
O Bloco 31 foi o único bloco residencial em Auschwitz. Ele foi criado para servir de propaganda para os nazistas que queriam disfarçar para os órgãos internacionais a verdadeira função do local, que era servir como um campo de extermínio.

Dita Dorachova é uma jovem Checa, com apenas 14 anos, quando chega a Auschwitz e, por muita sorte, é  enviada para o Bloco 31, ao contrário de milhares de adolescentes que foram direcionados para as câmaras de gás logo que chegaram ao campo.
O professor Fredy Hirsh passa a contar com a ajuda da jovem Dita Dorachova para manter dentro deste Bloco uma biblioteca secreta, com 8 livros muito mal conservados, além de livros vivos, que eram pessoas que tinham decorado uma determinada matéria e eram chamadas para contar as crianças.
Os dois não se rendem ao terror e permanecem firmes usando os livros como “arma”.
Apesar do carisma do professor, é a coragem de Dita que mais me comoveu e quando eu cheguei a frente ao Relógio Astronômico de Praga, me lembrei dela contando como adorava ficar por ali vendo a cara espantada dos turistas com a beleza do relógio.

E também lembrei de quando ela largou as mãos da sua mãe e saiu correndo para assistir ao desfile dos soldados alemães entrando na praça principal da cidade, sem saber que a partir daquele dia a sua vida mudaria para sempre.
Em cada canto da cidade de Praga, na Ponte Carlos e no bairro de Josefov, onde ela foi obrigada a se mudar com a família, antes de seguir para o gueto e depois para Auschwitz, eu me senti acompanhada pela bibliotecária.
Quando cheguei finalmente em Auschwitz, a primeira coisa que eu quis saber era onde ficava o barracão 31, mas não consegui localizá-lo.
No entanto, assim que entrei no barracão de madeira, usado como banheiro, quase pude vê-la lendo em um cantinho tentando ignorar o odor insuportável do lugar.
A Bibliotecária de Auschwitz é um livro sobre o Holocausto, mas também fala sobre a importância dos livros em um momento tão triste da história, no quanto foi fundamental para manter a esperança das pessoas em dias melhores.

Adorei saber que o autor do livro se encontrou com a bibliotecária e que ela está vivendo em Israel. No final, o autor conta o que aconteceu depois que ela sobreviveu ao holocausto e como foi o encontro dos dois.
Em uma noite gelada, num hotel em Bratislava (Eslováquia), eu li a última página deste livro. Eu estava aos prantos e, antes de ir dormir, ainda abri o livro várias vezes para reler alguns trechos.

Você já leu esse livro?

Nota da Blogueira - Escrever é um ofício muito solitário. Às vezes, eu passo noites e noites acordada escolhendo as palavras certas para colocar em um texto, revisando os parágrafos e na hora de publicar dá um frio na barriga...
Nem sempre quem lê dá a mesma importância ao texto. Lê com pressa, lê pela metade ou vê que é longo e desiste antes de começar.  
A Bibliotecária de Auschwitz me fez sentir o quanto é importante escrever boas histórias, acreditando que em algum tempo, em algum lugar, elas poderão transformar para melhor a vida de pessoas que eu sequer conheço. Espero que seja mesmo assim porque nada me faz mais feliz do que escrever.   



- Para ler o posto sobre a minha ida ao Campo de Auschwitz, CLIQUE AQUI