domingo, 28 de junho de 2015

Para Sempre Alice



O filme Para Sempre Alice não é um lançamento do cinema, mas eu acredito que merece uma reflexão no blog, na tentativa de jogar um pouco de luz sobre uma doença que parece condenar pacientes e familiares a um mundo reservado longe dos olhares de estranhos.



O filme conta a história de Alice (Julianne Moore), casada e mãe de três filhos. Ela é uma professora universitária, muito reconhecida na sua área, até que aos 50 anos foi diagnosticada com Alzheimer precoce.

Alice luta para continuar sendo o ser humano que era antes do diagnóstico e permanecer conectada com o o marido e os filhos. Uma luta perdida. 

Outros filmes já trataram sobre o mal de Alzheimer, mas eu acredito que quanto mais informações e histórias virem à tona melhor será para que as pessoas não se esqueçam daquelas que já não podem lembrar de como eram as suas vidas antes da doença. 

Isso é fundamental porque o mal de alzheimer ainda não tem cura. 

Ao fazer isso, Para Sempre Alice faz com que as pessoas conversem mais sobre essa doença degenerativa, além de desmistificar o fato de que é um mal que acomete apenas pessoas idosas. 

O Alzheimer leva o doente para viagem dentro de si, Uma viagem solitária e sem volta. 

No seu mundo particular, aos poucos o doente se afasta da sociedade, dos amigos, da família e de si mesmo. 

Em uma hora do filme, Alice diz que preferiria ter câncer ao Alzheimer porque se sente envergonhada da sua situação. 

Como ela pode esquecer o nome da rua da sua casa? Logo ela, que sempre teve uma memória privilegiada?

Por ironia do destino, o médico explica que quanto maior for o intelecto do paciente mais rápida é a progressão da doença. É como se ela tivesse usado a memória até o limite.

Borboleta. É assim que Alice se sente, como se fosse uma borboleta, dona de uma vida linda, mas curta.



O Alzheimer é um mal que adoece toda a família. É imensamente triste perder alguém que amamos de uma hora para outra, mas sabemos que teve um fim e é preciso recomeçar.

E o que fazer quando essa perda acontece todos os dias, gradualmente, sem que possamos fazer nada?  

De certa forma, a perda da memória é uma benção para o doente. Ele não se lembra do que deixou para trás e não sofre a dor da perda, mas o mesmo não dá para dizer da família e dos amigos.

Eu tenho uma tia que foi diagnostica há pouco tempo com essa doença e não é fácil observar uma pessoa que sempre foi tão forte e independente mudar aos poucos.

Ela ainda está no início da doença e espero que a evolução ocorra muito lentamente. Mas, já é nítida a mudança. Ela conversa sobre coisas do passado distante, mas esquece das coisas que aconteceram no dia.

Eu convivo pouco com ela e quando percebo o que está acontecendo faço de conta que a sua falta de memória é normal, coisa da idade e trato de mudar de assunto, com medo de deixa-la constrangida.

Não sei se estou agindo certo.

Eu deveria considerar que, talvez, ela pudesse se lembrar se eu forçasse um pouquinho mais, ao invés de aceitar a situação como fato consumado?

Eu tenho certeza que outras pessoas passam ou já passaram por situações iguais a essa, em que se sentiram perdidas e sem saberem como agir diante de alguém que até pouco tempo pensavam conhecer muito bem.

Na capa do livro de Lisa Genova, que deu origem ao filme está escrito: “Quando não há mais certezas possíveis, só o amor sabe o que é verdade”.

Ainda não encontraram a fórmula da eternidade e todos nós temos um tempo de vida na terra, mas eu acredito que o amor verdadeiro é eterno e se a gente se lembrar de uma pessoa ela continuará viva de alguma maneira.

Há muito tempo eu assisti ao filme “Diários de uma Paixão”, que conta a história de amor de Alie e Noah. Para terminar esse texto, eu escrevo um dos diálogos mais bonitos e marcantes que eu já ouvi:

Allie - E se amanhã eu não lembrar mais de nada?
Noah - Eu continuarei aqui, ao seu lado!
"Porque em cada pedaço de mim, sempre haverá um pedaço de você."