quarta-feira, 22 de julho de 2015

Férias do seu Jeito

Metrô de Praga, República Checa

Nas férias de julho, em meio à crise econômica do país, muita gente faz as contas para saber se, esse ano, é possível aproveitar os dias de folga em outra cidade ou país.
Para compensar o valor do dólar que está nas alturas, às agências e sites de viagens, assim como os programas de milhagens oferecidos pelas companhias aéreas, capricharam nas promoções.
Mesmo assim, muita gente desistiu de viajar para a América do Norte e, por outro lado a Europa está sendo invadida por um número enorme de turistas.
Claro, que ainda é difícil imaginar que uma viagem a Europa possa sair no mesmo valor ou até mais barata do que a qualquer país das Américas.
Depois de algumas experiências pelo mundo eu aprendi que o preço da viagem não depende apenas do destino e, sim, do tipo de experiência que a pessoa quer viver quando estiver lá.


Neste ano, eu viajei para o Leste Europeu (Alemanha, República Checa, Eslováquia, Hungria e Polônia), alguns países que há pouco tempo ainda faziam parte do regime comunista e, por isso, muito interessantes dos pontos de vista cultural e gastronômico.
São países que por permanecerem fechados ao turismo durante tantos anos, ainda mantém suas tradições e costumes, além de receberem os turistas com alegria, afinal somos novidade.
Além disso, países como a República Checa, Hungria e Polônia possuem suas próprias moedas e o valor é mais baixo do que o Euro.


Sem contar a Alemanha, nos outros países eu me surpreendi com o preço da comida e hospedagem, que eu considerei bastante justo e inacreditavelmente mais baixo do que nos países da Europa Ocidental, como França e Itália.
Lá eu vivi uma experiência diferente ao trocar a hospedagem dos hotéis por apartamentos alugados através do site Airbnb (www.airbnb.com.br).


Se eu tive algum receio de fazer isso? Claro, que sim. Mas, os preços eram terrivelmente tentadores.
Eu aluguei um apartamento em Praga, na capital da República Checa, e a experiência foi excelente. Apesar do prédio antigo, o apartamento estava reformado e a decoração era muito charmosa.


A dona veio nos entregar a chave pessoalmente e foi bacana poder conhecer alguém da cidade capaz de dar dicas de restaurantes e outros lugares que fugiam um pouco do roteiro turístico.
Ela deixou à geladeira cheia de guloseimas e para facilitar a nossa vida comprou até as primeiras passagens do metrô. Foi fantástico. Na última noite, eu preparei um jantarzinho romântico para o meu marido e foi muito especial para nós.    
Em Budapeste, na Hungria, eu também aluguei um apartamento bem localizado, no centro de Peste, há poucos metros do Parlamento, que pertencia a uma jornalista de celebridades.
Em uma noite gelada, eu decidi tomar banho quente de banheira para me esquentar e, após alguns minutos, a água ficou muito gelada. Conclusão: fui dormir sem tomar banho.


Apesar do inconveniente, encarei a situação como uma experiência e nas próximas noites me contentei em tomar banho de chuveiro. Em compensação, fui a supermercados e descobri algumas comidas húngaras muito gostosas para o café da manhã e o lanche da noite, o que talvez não acontecesse se eu tivesse ficado em um hotel.
Quem decidir alugar um apartamento em outro país precisa estar preparado para quando as coisas não saírem conforme o planejado. Importantíssimo possuir um telefone celular com o chip do país para entrar em contato com os proprietários do imóvel, mas às vezes até isso pode falhar. Não é só no Brasil que as operadoras deixam os usuários na mão.
Quando eu cruzei a fronteira entre a Alemanha e a República Checa o nosso celular, que estava com o chip para falar por toda a Europa, de repente parou de funcionar e nós tivemos que ir a um Hotel para usar o wi-fi e entrar em contato com a dona do apartamento.
Nessa hora, saber falar bem o idioma inglês também dá mais segurança. Mas, sinceramente, eu acho que a minha cara de preocupação ao pedir a senha do wi-fi  falou mais do que mil palavras. kkkk
Eu adoro novas experiências e sempre que alguma coisa não sai conforme o planejado eu me conformo pensando que é exatamente isso o que tornará a viagem inesquecível. E, geralmente, é isso mesmo o que acontece.
Eu tenho certeza que você ainda lembra o mico que pagou na sua última viagem ou de quando gastou a maior grana em um prato de massa que estava apimentado demais.
Eu procuro encarar as situações adversas como aprendizados, sem contar que com essas experiências eu aprendo um pouco mais sobre mim, quais são os meus limites e até que ponto eu sou capaz de suportar sem perder a classe e o bom humor.
Nem todo mundo pensa assim e estou longe de querer ditar a regra.
Eu conheço pessoas que ao planejarem uma viagem não abrem mão de ir aos melhores restaurantes, mas se conformam em dormir em quartos mais simples e outras que fazem exatamente o contrário.

Já existem aquelas que preferem economizar o máximo com restaurantes e hotéis para gastar nos shoppings.
Claro, tem aquelas que só saem de casa para viajar se não precisarem economizar com nada e aí o céu é o limite. E o contrário, quem economiza em tudo e ainda volta para casa com dinheiro no bolso.
Para cada uma dessas pessoas, não importa o destino escolhido, a viagem terá um preço diferente, certo?
Qual o tipo de viajante é você? Essa é a primeira pergunta a fazer antes de decidir viajar para qualquer lugar do mundo. Digo isso porque muita gente organiza o roteiro de viagem baseado no conselho ou opinião de amigos, o que eu considero um erro.
– Você não pode ir à Itália e não conhecer Roma!
- A melhor época para conhecer o Central Park é no verão.
Se você não gosta de visitar igrejas e templos antigos, prefere cerveja a vinho porque ir à Roma? 
Se você prefere férias na praia porque ir à Nova York no verão?
O mundo é tão grande, oferece tantas possibilidades, que vale a pena escolher um roteiro que tenha mais a ver com o seu jeito de ser.
Afinal, as férias são suas, o dinheiro é seu e é você que vai ficar aborrecido quando estiver lá ou não é? 


Obs: Esta matéria foi publicada na Revista Madeleine do mês de junho