segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Podemos resolver os problemas do mundo?


A menina estava ali em frente à trave e já sentia o cheiro do gol quando, sem intenção, derrubou a jogadora do time contrário no chão durante uma dividida de bola.
Ao ver sua adversária caída no chão, ela parou de jogar e ficou em dúvida sobre o que fazer:  

- Ignorar a situação e marcar o gol.
Ou...
- Esquecer o jogo, socorrer a garota que estava caída na quadra e ignorar os gritos alucinados da arquibancada que dizia para que marcasse o gol:

- VAI! VAI! VAI!

A menina optou pela segunda opção. Ela deixou a bola de lado e foi ver se a adversária estava bem.
Isso provocou uma reação negativa do técnico e das jogadoras do seu time e me fez refletir sobre o tipo de geração que estamos preparando para cuidar do futuro do nosso planeta.
Nós fomos ensinados que o ser humano é uma espécie em evolução e para sobreviver é preciso se adaptar ao ambiente e ser o mais forte.
Esse conceito de sobrevivência, que surgiu a partir da Teoria da Evolução, de Charles Darwin, é responsável por muitas das ações e reações que estão colocando em risco à vida na terra.
Com base nesses valores, adaptação e força, as pessoas perseguem o sucesso material e social, que é medido pelos bens (casas, carros, joias) ou pelo número de amigos.
Quanto mais bens materiais e amigos, maior o sucesso e, consequentemente, a chance de sobreviver neste mundo.
Em nome desses valores às pessoas competem entre si para acumular mais coisas e mais pessoas; países competem entre si para conquistar mais território e riqueza.
Mas, o que há de errado neste mundo?
Porque ao conseguir garantir a sobrevivência, as pessoas não conseguem ser felizes e continuam em busca de algo para dar sentido às suas vidas?
Eu assisti o documentário I AM, criado por Tom Shadyac, premiado diretor de filmes de comédia como “O Mentiroso”, “O Professor Aloprado”, “O Todo-Poderoso” e “Ace Ventura: Um Detetive Diferente”, ganhador de vários Oscars, que propõe discutir os problemas do mundo e como podemos resolvê-los.
Tom visita algumas das grandes mentes dos dias de hoje, incluindo escritores, poetas, professores líderes religiosos e cientistas (Howard Zinn, Lynn McTaggart, Desmond Tutu, Thom Harmann, Coleman Barks e outros) e dá início a várias descobertas que colocam em dúvida alguns conceitos que fomos ensinados a acreditar.
De acordo com as pessoas entrevistadas para o documentário, ao contrário do que dizem, o principal órgão do nosso corpo, responsável pelas nossas decisões, não é o cérebro e sim o coração.
As batidas do coração criam um campo magnético que une as pessoas através das emoções. Com isso, a forma como eu me comporto dentro de um ambiente, afeta as outras pessoas a minha volta.
Estamos todos conectados. Fazemos parte da mesma rede de emoções.   
Seguindo esse conceito, entendemos que para resolver os problemas do mundo é preciso aprender a olhar além do que é bom apenas para si mesmo e pensar no que é bom para todos nós.
É necessário criar a consciência de que vivemos em comunidade. O mundo é a nossa comunidade.
O que acontece com você refletirá em mim. Para eu ser feliz preciso que você esteja feliz.
Se você acreditar neste conceito, como eu acredito, é preciso parar de competir e criar uma corrente de cooperação.
Se você aceitar, como eu aceito, que estamos conectados, pode cooperar para um mundo melhor começando a transmitir o amor a todos que estão ao seu redor, mesmo os desconhecidos.
Eu acredito nisso.
Como diz o documentário, ninguém pode acabar com a miséria no mundo sozinho, mas pode ajudar a pessoa que está ao seu lado. Uma pessoa é um mundo.
Ao ver a menina na quadra de futebol decidir cooperar com a sua adversária, ao invés de aproveitar o momento para provar a sua força, eu percebi que existe esperança e o mundo pode mudar para melhor. Podemos fazer isso.
Ela pode não ter marcado, mas fez o GOL MAIS BONITO daquele jogo.