quinta-feira, 14 de abril de 2016

Filme: A Senhora da Van (2015)

Por Lenise Raplavschi


Quando a Dani me convidou para ser “articulista” em seu encantador blog, eu achei o máximo! Adoro cinema e geralmente assisto a vários filmes por semana. E pensando em que filme eu poderia abrir esta sessão, lembrei de um que assisti recentemente: A Senhora da Van.

A atriz Maggie Smith – de quem sou fã – dispensa apresentação. Ela é ímpar. No auge dos seus 81 anos, foi perfeitamente escolhida para interpretar Miss Shepherd, a protagonista do filme A Senhora da Van, em cartaz no circuito nacional.

Antes do filme começar, o alerta: “grande parte baseada em uma história real”.

O cenário é Londres, no bairro de Camdem Town, entre as décadas de 1970 e 1980. A protagonista, Miss Shepherd, é uma senhora que, após um acidente envolvendo o veículo que dirigia, passa a viver dentro de uma van desde os 39 anos de idade. Ela é ranzinza, rabugenta e cheia de manias, inclusive a de não tomar banho.
Ao longo da sua trajetória itinerante, ela vai escolhendo aleatoriamente as casas defronte das quais estacionará a sua fétida moradia, para o terror dos moradores. Até que vai parar em frente à casa do escritor e dramaturgo Alan Bennett, que vivenciou a inusitada história verídica e escreveu o livro homônimo. Miss Shepherd acaba vivendo por mais de uma década em sua van estacionada literalmente na garagem de Bennett. No filme, Bennett é interpretado pelo inglês Alex Jennings, conhecido por papéis nos filmes A Rainha, Babel e Bridget Jones: No Limite da Razão, entre outros.
Os dois protagonistas são aparentemente opostos, mas aos poucos nasce uma improvável amizade e o enlace de uma cumplicidade, embora Miss Shepherd não se mostre muito receptiva à demasiada paciência e educação de Bennett. Enquanto ele demonstra interesse pela bizarra trajetória da velha senhora, deixando Miss Shepherd usar seu banheiro e depois a sua garagem, ela frequentemente o trata com rispidez e mal agradecimento.
A essência do filme está na tolerância que poderíamos ter com pessoas abandonadas e desamparadas, mentalmente e socialmente. Para mim, ela é como tanta gente que se isola do mundo e vive à sombra da sociedade, como os andarilhos, as quais fingimos não ver. Quase nenhuma encontra um Bennett para contar a sua história, como Shepherd, uma personagem rica pelas suas excentricidades e autenticidade.
Com ingredientes que facilmente poderiam levar ao sentimentalismo barato, A Senhora da Van, ao contrário, é um filme que fica longe disso. Inteligente e com tiradas ácidas e instigantes, o filme é uma delícia de assistir. Confira.