sexta-feira, 29 de abril de 2016

Um lugar para viver em paz


Apesar dos pesares, definitivamente viver está mais fácil do que conviver.
Para viver é preciso apenas respirar, conviver dá um trabalho danado.
Pense em quantas vezes você já ouviu alguém falar que sonha em morar em uma casinha branca de varanda para acordar e olhar pela janela...
Você já teve curiosidade para perguntar a essa pessoa o que ela gostaria de ver quando abrir a tal janela? 
Se você perguntar, eu tenho certeza que muitas pessoas vão responder: - Nada que lembre nem remotamente um ser de duas patas.  
Eu acho que o lace de quem sonha com a tal casinha branca é ter um lugar para viver em paz. Só isso.
Não tem nada a ver com o tipo de construção, por mais fofa que essa ideia possa parecer, ou com a paisagem. São apenas boas desculpas para uma fuga justificada.
Mesmo que para isso tenha que levar uma vida mais simples, longe do conforto da vida moderna, dos amigos e da família.
Se uma pessoa acostumada ao conforto consegue viver em um ambiente rural..., bem isso já é outra questão. Mesmo porque entre falar, fazer e permanecer na causa tem uma longa distância.
Mas, isso não interessa agora. Eu não quero falar de coisas práticas, como ar- condicionado, fogão a gás, televisão de tela plana.  
O assunto não é a casinha branca. Se fosse isso, seria mais fácil.
A minha angústia consiste em saber que, cada vez mais, eu preciso me isolar da sociedade para conseguir me reconectar com os sentimentos bons, mesmo sabendo que eles existem dentro de mim. 
Eu fechei a porta do meu coração e da minha mente para muitas situações e pessoas que não me acrescentavam nada, só sugavam a minha energia. Fiz isso e não me arrependo.
O grande x da questão é que eu não tenho como me proteger contra o que eu não conheço e a vida é uma sucessão de fatos imprevisíveis.
Quando eu quero proteger a minha pele, eu uso remédio contra picada de mosquito, protetor solar e estou estudando comprar uma armadura de ferro, kkkkk, brincadeira.
Para preservar a minha paz de espírito, eu faço o quê?  
Há poucos dias, eu precisei viajar a trabalho e, apesar de ser por uma boa causa, não foi nada divertido, ao contrário, passei por uma situação improvável.
O carro era pequeno para tanta gente e o motorista estava com um tremendo mau humor. Somado a isso, um calor insuportável.
Éramos quatro mulheres e um homem, mas ele ignorou todas as nossas tentativas de ajuda-lo a encontrar o caminho correto.
Conclusão: Ele errou várias vezes o caminho e nós chegamos atrasadas até o nosso destino.
Isso nos deixou muito irritadas. Não tanto pelo atraso, mas sim pelo fato de sentir que fomos ignoradas. Saímos do carro reclamando da atitude do motorista. Todas nós.
Na volta, ele voltou a repetir a mesma atitude e novamente errou o nosso destino. Eu não aguentei e fiz um comentário irônico da situação.
Só que eu não esperava receber em troca uma bronca do motorista, daquele tipo bem ignorante, que não dá para argumentar.
Ele levantou a voz e disparou a falar o quanto eu estava deixando-o irritado com as minhas críticas. Ameaçou acelerar o carro ainda mais, o que fez com que eu me calasse.
Depois que passou o meu susto, eu virei para as minhas amigas e perguntei: - Só eu estou irritada neste carro? E, sabe do pior, ninguém, nenhuma delas, respondeu um ai.
Eu não sei se elas ficaram com receio do motorista se descontrolar ainda mais, caso a discussão continuasse, ou apenas não quiseram se envolver.
Apesar de o carro estar lotado, eu me senti muito sozinha e constrangida.
Eu estava preparada para lidar com um motorista grosseiro, mas não com o silêncio das minhas colegas. Foi um silêncio que esmagou o meu coração.
Mas, tudo o que não mata serve de lição e agora terei ainda mais cautela na hora de escolher lutar por uma causa ou por alguém.
Infelizmente não existe fronteira ou repelente para nos proteger de “gente que machuca os outros e de gente que não sabe amar”, parafraseando o cantor e poeta Renato Russo.
Se um dia você for morar em uma casinha branca, cuidado ao abrir a janela porque poderá dar de cara com uma pessoa assim, elas estão estão em todos os lugares e se multiplicam na velocidade da luz.
Bicho papão existe.