terça-feira, 10 de maio de 2016

Poesia | Ruas da minha infância

Por Sandra Rousie Lima da Silva

Quando anoitece, ninguém por perto,
Sinto-me cansado, coração aberto.
Preciso de carinho, ninguém por perto.
A amargura chega,    
A lua umedece meus olhos.

A calçada fria
Envelhece os meus sonhos.
As estrelas brilham,
E em minha constante dor,
Sinto-me como um pobre sonhador,
Onde só é permitido sonhar.

O chão frio começa a me fortalecer,
O meu coração de pedra
Começa a rachar
E a dor da vida
No meu coração parece não acabar.

Quando o sol aparece,
E o dia a clarear,
Sinto-me muito carente
De uma mão a me apoiar.


Vivo num mundo
Cheio de desencontros
Onde a violência é tudo
E a marginalização tem seus frutos
A fome violenta a alma
E a nós que já somos manipulados
Só nos resta o resto dos restos.

Sou uma pessoa que apenas quero viver,
viver em uma rua,
Onde possa morar e crescer,
Sou uma pessoa que apenas quer um mundo colorido.

Com tanto desejo,
Só sinto fortalecimento
Em realizar tudo o que sinto
Sem inusitar a vida, mendigo.

Observação: Poesia vencedora do Concurso de Poesia Nhô Bento/ 2015.  Declamada pela dona Neide Palumbo.