sexta-feira, 17 de junho de 2016

Em paz com a saúde... Xô ilusões!


Por Andressa Rodrigues

“Eu voltei pras coisas que eu deixei... porque aqui, aqui é meu lugar...”.

Não resisti em iniciar meu texto lembrando esse trecho da música “O Portão”, do rei Roberto Carlos. É com imensa alegria que volto a escrever para o Blog Encantes! Aliás, como recusar o convite da querida Daniela Carvalho? Eu tenho muita gratidão a ela. Se eu for dizer tudo que sinto por essa pessoa iluminada, ia ficar horas só tecendo elogios... Em resumo, Dani: muito obrigada!
Ela confiou a mim a tarefa de trazer entrevistas, crônicas e novidades sobre assuntos que fazem parte do meu dia a dia.


Quem me conhece, sabe que sou inquieta por natureza, mas zen por opção. Explico: adoro praticar atividade física, ouvir (e dançar) um bom e velho rock’n’roll, viajar e conhecer pessoas e culturas. Por outro lado, venho a algum tempo intensificando a busca pelo meu autoconhecimento e o equilíbrio para encontrar a paz interior.



No ano passado, “ganhei” um motivo a mais para isso. Quando completei 38 anos de idade, fiz uma espécie de pacto comigo mesma. Elaborei meu “Projeto 40”, que incluía intensificar ainda mais minha prática diária de exercícios (treinamento funcional, spinning aquático, yoga, caminhada, pedalada) e controlar minha alimentação. O esquema tático durou, somente, cerca de três meses. Uma dor lombar acabou com as minhas intensões (que, hoje, as chamo de ilusões).
Passei por quatro médicos, fui ameaçada de cirurgia e enfrentei inúmeras sessões de fisioterapia. Nesse período, tive a oportunidade de conhecer histórias semelhantes à minha e descobri que a dor lombar crônica - chamada na área médica de lombalgia - acomete milhares de pessoas em todo o mundo. Uma pesquisa recente revela que, nos Estados Unidos, foram gastos cerca de 600 bilhões de dólares, em 2010, com tudo que está relacionado à dor lombar: tratamentos, medicamentos, exames, cirurgias e custos de licença médica.


Uma das profissionais que me ajudou bastante nessa jornada, e hoje me dá aulas de pilates, é a fisioterapeuta Aline Cardinalli, da Academia do Alemão. “Grande parte dos pacientes que me procura tem lombalgia. As causas podem ser mecânicas, como excesso de peso ou movimentos bruscos e excessivos, além de origem inflamatória, reumática ou nervosa. Porém, a maioria é de caráter multifatorial, acometendo 80% da população mundial”, alerta Aline.
Para entender mais sobre o assunto e compartilhar as informações com quem pode estar com dores nesse momento (inclusive agora, em que lê esse texto), decidi entrevistar a fisioterapeuta.

Encantes - Dor lombar pode ser evitada?
Aline - Podemos trabalhar nosso corpo preventivamente, sempre visando o "alongar" da coluna, ou seja, dos músculos envolvidos, brigando com a força da gravidade. Mas tudo depende do dia a dia de cada pessoa, pois esse fator diz muito em relação a uma possível (ou futura) situação dolorosa. Por exemplo: quem trabalha durante longo período em uma posição ou realiza movimentos repetitivos costuma ser alvo do que chamamos de ‘doenças ocupacionais’. Nesses casos, é imprescindível fazer pausas curtas no decorrer do serviço, para se deslocar e ativar a circulação sanguínea, além de alongar as regiões do corpo que mais reclamam durante o trabalho. Se tomarmos essas orientações como hábitos diários estaremos atuando na prevenção.

Encantes - De quais formas a lombalgia se manifesta?
Aline - Os sinais e sintomas vão desde um desconforto a dores, queimação e crises como a incapacidade de ficar com o corpo ereto para manter-se em pé. Um dos principais causadores da ‘dor lombar baixa’ é a degeneração dos elementos da coluna, que pode levar a protrusões discais, espondiloses (ou escorregamento de vértebra) e até hérnia de disco, acometendo os nervos e irradiando os sintomas para os membros inferiores como nádega, virilha, posterior de coxa, panturrilha e pé. Além disso, o paciente que é ativo e, devido às dores, precisa suspender os exercícios físicos por um tempo pode adquirir um sentimento de perda, impactando o humor e o estado mental, levando até a algumas alterações emocionais como depressão, ansiedade, irritação e desesperança.

Encantes - Quais são os tratamentos indicados?
Aline - Variam de acordo com as causas e o grau de condição clínica do paciente. Inicialmente, o tratamento é conservador, com medicação e fisioterapia voltada para analgesia. Passada a fase aguda, podemos trabalhar o fortalecimento muscular e alongamentos, visando prevenir o avanço do problema e dividir a carga vertebral. Em casos mais graves, a pessoa pode passar por bloqueios (inervações), sempre acompanhado de fisioterapia, ou até mesmo por cirurgias. Eu, já há algum tempo, trabalho com a Medicina Intervencionista da Dor. Você, Andressa, passou por esse tratamento! Foi acompanhada por uma ‘médica da dor’, que te prescreveu os medicamentos adequados e a fisioterapia adequada. Depois, numa outra oportunidade, podemos explorar mais esse assunto, pois é um campo novo, pelo menos aqui no Litoral Norte de são Paulo, que tem tirado da mesa de cirurgia muitos pacientes!

Encantes - Qual orientação você deixa para os leitores do Blog Encantes?
Aline - Sempre digo que a dor é "amiga" do movimento! Temos que ouvir os sinais que o corpo dá e respeitar nossos limites. Como já mencionei, a adoção de hábitos preventivos no dia a dia faz muita diferença. A ginástica laboral, por exemplo, deveria ser praticada regularmente nas empresas e comércios. Todos ganham com a prevenção, tanto na questão da saúde em si, como financeiramente falando, pois se evitam gastos excessivos em certos procedimentos médicos e eventuais afastamentos do trabalho. Já nas atividades físicas, devemos sempre fazer com orientação profissional. E aos que acreditam estar exagerando, reforço: respeitem seus limites, seus alarmes, pois os excessos seguramente causarão dor.