segunda-feira, 13 de junho de 2016

O que tem a nossa volta



Por Isabel Galvanese

Para comemorar, fomos um dia jantar num restaurante super chic na Ilhabela . Vários pratos, sobremesa, chocolates, café e tudo mais. A entrada era uma salada verde cheia de cores e flores comestíveis. O lindo visual estava arrumado de tal jeito que nossa vista era levada para um ponto central onde haviam empilhadinhas três pequena bolinhas cor de rosa antigo, coisa que eu nunca tinha visto.

Isso já faz uns vinte anos. Tratei logo de experimentar as tais bolinhas e o gosto era exótico e meio perfumado o que deixou aquela salada inesquecível! Tudo estava ótimo e chamamos o cozinheiro para parabenizá-lo e conversar um pouco sobre aquela incrível experiência.

_ O que eram aquelas bolinhas cor de rosa tão deliciosas? perguntei

_ Pimenta Rosa. disse ele

_ Aonde posso encontrar para comprar?

_ Tenho um pé aqui no quintal, a senhora quer ver?

Fomos até o quintal e ele me mostrou uma Aroeira. Fiquei surpresa, uma planta tão comum por aqui e eu nunca soube que aquelas sementes rosa-avermelhadas eram comestíveis e tão deliciosas.
Conclui que, como a aroeira, eu não conhecia o que é comum da onde moro.


Um amigo paisagista me contou uma história parecida. Ele foi chamado para ver a reforma de um jardim. O dono da casa, ao mostrar seu jardim, falou:

_Esta árvore já estava aqui quando comprei a casa. Acho que quero arrancar, ela é muito sem graça. Você sabe o que é?

O paisagista olhou para cima e falou surpreso. _ Esse é um pé de louro muito antigo e que eu nunca vi tão alto!

_ Como assim, um pé de louro? Daquele louro que eu compro toda semana na feira para colocar no feijão?

Nem preciso dizer que a árvore de louro se tornou o xodó da casa ! Foi adubada, podada e recebeu uma forração. Agora ele corta o louro do feijão todo dia com uma tesourinha.
Desde que começamos a morar aqui, passamos a prestar atenção  nas  plantas comestíveis e nativas daqui. Descobrimos muitas que ainda não conhecíamos como o maracujá roxo, o araçá branco e o roxo, o cambuci, o palmito juçara -para comer a polpa das frutas - a mandioca e a banana que sempre compramos de um produtor na praia de Toque-toque.
Começamos a plantar coisas em casa, não existe sensação mais gostosa do que incluir na sua refeição um ingrediente colhido no seu quintal! Sempre que colhemos algo distribuímos para os vizinhos. Por causa da nossa pequena colheita, começamos a fazer muitos amigos por aí.  Sempre dou mandioca, acerola, e as coisas da horta para os vizinhos e também estou sempre recebendo presentinhos, limão, laranja lima, abacate e até geleia de araçá roxo, num potinho todo enfeitado.
Semana passada, trouxemos da casa de uma amiga que é nascida aqui, o coentro caiçara que, diferente do que a gente conhece, tem as folhas alongadas e não aquela cara de salsinha. O sabor é mais suave, uma delícia!  


Trouxemos também, mas não pegou, a alfavaca , que tem um gosto próximo do manjericão e, segundo essa amiga,  é bom para comer com cação.
Se alguém tiver muda de alfavaca me avisa, passo aí  e levo uma mandioca amarelinha que eu colhi esses dias. Aí, batemos um papo e trocamos receitas!