quinta-feira, 9 de junho de 2016

Quem vai dar a última Palavra?




Eu tenho presenciado muitas brigas e ouvido casos de pessoas que, por causa delas, se afastam e ficam sem se falar. Um silêncio que pode durar dias, meses, uma vida e até a eternidade. Quem convive com pessoas que não se falam sabe que é um tipo de silêncio diferente. Um silêncio que se materializa e parece pesar no ambiente envolvendo outras pessoas. 


Eu mesma já passei quase 10 anos sem conversar com a minha melhor amiga de infância por causa de uma briga boba que, hoje, ao olhar para trás, eu vejo que não tinha a menor importância. Como eu me arrependo e agradeço a oportunidade que a vida me deu de reparar esse grande erro. 
Claro, que algumas brigas são muito sérias e deixam mágoas tão profundas que uma eternidade parece pouco para curá-las.   
Mas, isso não pode ser uma regra.
Não podemos carregar conosco rancores e ressentimentos quando o que nos impede de resolvê-los é o orgulho e a falta de humildade.
Todos nós, sem exceção, estamos nesta vida para aprender.
Alguns compreendem que o aprendizado, através do amor, gera menos traumas. Outros ainda não têm esse entendimento e sofrem mais.
Mas, se estamos nesta vida, nos relacionando com pessoas tão diferentes de nós, é porque alguma coisa nós temos que aprender com elas.
E, muitas vezes, aquele que despreza a falta de sabedoria de outra pessoa, que julga o outro por não saber resolver questões práticas do dia a dia ou lidar com as emoções, está sendo ainda mais ignorante.
Além de aprendermos uns com os outros, aos nos relacionarmos com pessoas diferentes de nós também aprendemos sobre nós mesmos.
Às vezes pensamos ser mais perfeitos do que realmente somos e só percebemos isso quando somos obrigados a sair da zona de conforto.
É uma troca em que ambos saem ganhando, quando é um relacionamento saudável.
Mas, e quando o relacionamento não é saudável? Existem pessoas que exigem mais de nós. Perdoá-las se torna um ato de heroísmo, pelo menos pensamos assim.
E quer saber, eu prefiro aceitar isso do que fingir o que não sinto.
Perdoar não é simples porque não basta falar é preciso sentir.
O verdadeiro perdão nasce do coração.
Algumas pessoas conseguem perdoar muito fácil e fico feliz por elas.
Mas, quantas eu já ouvi dizendo que não guardam mágoas, que esquecem rápido e, no entanto, esperam a primeira oportunidade para esfregarem na cara do outro todo o sofrimento pelo qual passaram, com o objetivo de deixa-lo se sentindo culpado ou humilhado? Várias vezes.  
Isso está longe de ser perdão. Na minha opinião é mais uma forma de manipular os sentimentos do outro. 
Quem perdoa, esquece e toca a vida pra frente.  
Estou longe, muito longe de ser perfeita. Mas, eu sei que uma briga só acontece quando duas pessoas perdem a razão e que o mais ignorante é aquele que pensa saber tudo e não ter mais nada a aprender.
Somos humanos e em algum momento de nossas vidas vamos cometer erros, se já não os cometemos, e nessas horas precisaremos ser perdoados.
Como vamos pedir perdão se não tivermos a capacidade de fazer o mesmo?  
Como posso exigir do outro aquilo que eu não consigo fazer? 
Se não conseguir perdoar, não minta para si mesma, mas continue na busca desse sentimento.
Mesmo que essa busca dure por toda vida e além.
Eu acho que é melhor ser verdadeira do que envolver outra pessoa em uma rede de intrigas e manipulações, você não acha?
Espere a verdade que só o tempo pode revelar. 
A verdade sempre terá a última palavra.