sexta-feira, 8 de julho de 2016

As pessoas amam quem as escuta!



Por Giobert M. Gonçalves
 
Você ouve ou escuta?

Ouvir é perceber o som, mas não é identificar o sentido... Você vai, ouve, mas pode não compreender. Ouve e já vai dando conselhos; será que escutou mesmo? Não! Quando ouvimos nós colocamos muitos ruídos (que saem da nossa cabeça) e podemos apenas entender. Entender é saber de algo sem questionar, você repete, mas não sabe explicar.


- Olha aqui: você faz isso e depois aquilo e depois aquilo outro. Você entendeu?

É assim que nossos conselhos saem quando ouvimos e entendemos: como papagaios! Você vai dizer o que acha que o outro tem que fazer e não o que o outro precisa para desenvolver o que pode ser feito.
Quem tem filhos adolescentes pode perceber muito bem do que estou falando. Falar que eles não entendem quando você diz algo é discurso comum. Mas você ouviu ou escutou seu filho?
Escutar é algo mais profundo, você se coloca disponível para que o outro diga todos os seus anseios e sinta-se escutado. Você, nesse momento, esquece do que acha das coisas, das suas opiniões e seus pontos de vista para apenas escutar. E desse movimento você pode trazer soluções para o outro apenas fazendo perguntas, perguntas simples para ampliar a percepção dele em relação ao que ele mesmo está dizendo. É uma arte saber escutar e perguntar:


Por onde você pode começar?
Qual o primeiro passo?
E o que mais você pode fazer?
O que você ganha com isso?
O que você vai alcançar?
Como você se vê no futuro?
O que falta?
Como seria se você tivesse resolvido isso?
Você conhece alguém que sabe lidar com isso?
O que vai mostrar que você está chegando lá?
O que precisa acontecer?
O que precisa mudar na sua vida?
O que precisa mudar em você?


Essas são algumas perguntas que fazem com que uma pessoa busque dentro dela as repostas, mas é muito importante que você deixe a pessoa pensar depois que perguntar. Não adianta você perguntar e logo em seguida já responder, hein! Ah! E também tem o tom de voz que diz mais do que as palavras – seja suave.
Quando você confronta o outro com perguntas em tom de voz ríspido ou imperativo vai, naturalmente, surgir alguma resistência. Escutar e compreender é de verdade, não dá pra fingir. Se você não consegue ainda, vai treinando, se liberte do ego que quer ter razão. Aceite que as tuas experiências podem não ser uteis para a maturidade do outro, somos pessoas diferentes. Confie que todas as pessoas têm as soluções dentro delas mesmas, só temos dificuldade em trazer isso à tona e um bom escutador e perguntador pode ajudar, e muito.
Nós já queremos dar uma resposta (o que para mim, parece mais uma necessidade de se autoafirmar tipo: eu sei!) e acabamos emburrecendo as pessoas a nossa volta, tiramos delas a chance de desenvolver a reflexão.
Você já foi escutado? Como se sentiu quando, em algum momento, você percebeu que o outro escutava e te apoiava apenas escutando (e talvez perguntando)? Você conseguiu refletir melhor? Você se sentiu compreendido? É uma sensação muito boa, você vai se soltando e aprofundando porque o outro não está te julgando ou impondo algo para você.
As pessoas amam quem as escuta!