quinta-feira, 14 de julho de 2016

Flip e o encantador mundo das letras


Com tempo escasso, eu e minha mãe tivemos que deixar algumas atrações de lado, mas nos divertimos muito
Por Andressa Rodrigues

Imagine uma criança num parque de diversões! Senti-me exatamente assim ao ir, pela primeira vez, à Festa Literária Internacional de Paraty, Flip. São tantas atrações para vivenciar, informações novas, pessoas de tudo quanto é lugar, cidade lotada e um clima muito, mas muito extasiante e empolgante! Parece que o mundo para. Tudo fica suspenso devido ao festival. É mágico!

Eu já suspeitava que fosse assim. Mas a experiência de estar lá, ao vivo e a cores, é sem dúvida inesquecível. Ainda mais ao lado da minha mãe, professora de Língua Portuguesa e Literatura, pedagoga e uma ótima companheira de viagem.
Nossa passagem pela Flip foi rápida. Ficamos apenas um dia e meio. Por isso, tivemos que entrar num consenso e escolher o que fazer, deixando - com dor no coração - algumas atrações de lado. Mas divertimo-nos muito! Assistimos de pertinho a uma mesa de debates com o jornalista Caco Barcellos.
Os jornalistas Caco Barcellos (à direita) e Micha Glenny (no centro) contaram suas aventuras ao desbravar morros cariocas tomados pelo tráfico de drogas

Sentadas no chão, na Praça da Matriz, participamos de uma animada conversa entre os cronistas e escritores Marcelo Rubens Paiva, Xico Sá, Maria Ribeiro e Gregório Duvivier. Andamos muito pelas ruas de pedra do charmoso centro histórico. Visitamos exposições, entramos em casarões e até passeamos no Morro do Forte.
A festa ocorreu entre os dias 29 de junho e 3 de julho. Contou com a participação de 39 escritores e um público de cerca de 30 mil pessoas. Em sua 14ª edição, homenageou a poetisa brasileira Ana Cristina Cesar. Considerada como um dos principais nomes da década de 1970, Ana C. (como ficou conhecida) misturava em seus textos elementos do cotidiano e aspectos de sua intimidade. Além da poesia, dedicou-se à crítica e à tradução literária.
Um palco montado ao lado da Praça da Matriz recebeu autores no debate “Você é o que você lê". Aqui estão Marcelo Rubens Paiva, Xico Sá, Maria Ribeiro e Gregório Duvivier
Coincidência ou não, as mulheres dominaram a Flip esse ano. Diversas escritoras atraíram grandes públicos nos diferentes espaços do evento. Já as crises financeira e política, o feminismo e a luta contra o estupro, as constantes greves dos professores estaduais (em todo país) e as ocupações das escolas pelos estudantes, a violência nas cidades e as questões do tráfego de droga foram assuntos que renderam muitas discussões e até protestos.
Sem dúvida nenhuma está aí um passeio que entrou para a minha agenda! Eu e minha mãe deixamos Paraty fazendo planos para a edição do ano que vem. Eu também voltei para casa com um desejo enorme de escrever, escrever, escrever...

Do alto dos casarões era possível ouvir o burburinho animado do público que prestigiou a Flip

Como disse no início, o clima da Flip é empolgante! Sou jornalista, então escrever é meu ofício e minha grande paixão. Essa experiência me deu um ganho de ânimo, vitalidade, disposição e inspiração. Esforço-me diariamente para que esse sentimento perdure e entre de vez na minha rotina. Ultimamente ando tateando novas vivências. Após longos anos de trabalho “formal”, brinco que vivo em um momento sabático. E certamente ir à Flip não foi por acaso.

Para encerrar esse texto, uma poesia de Ana C.
Beijos e até nosso próximo encontro!

“Também eu saio à revelia e procuro uma síntese nas demoras. Cato obsessões com fria têmpera e digo do coração: não soube. E digo da palavra: não digo (não posso ainda acreditar na vida). E demito o verso como quem acena e vivo como quem despede a raiva de ter visto”.